Trabalhos de buscas às vítimas serão retomados domingo

Os trabalhos de busca às vítimas do acidente com o Boeing 737-800 da Gol, que caiu na sexta-feira (29) em Mato Grosso, com 155 pessoas a bordo, foram interrompidos no final da tarde deste sábado, 30. O avião caiu a cerca de 200 quilômetros da Fazenda Jarinã, entre os municípios de Matupá e Peixoto de Azevedo, na divisa entre o Pará e o Mato Grosso. As equipes de resgate retomarão o trabalho na manhã deste domingo.Em Manaus, o gerente de operações da Gol, Marcelo Duarte, informou aos familiares dos passageiros do no Boeing que estão hospedados pela empresa aérea no Hotel Taj Mahal, no centro, que na noite deste sábado, 30, não haveria mais informações sobre as buscas no local do acidente. Segundo um dos parentes, que não quis se identificar, Duarte teria afirmado que a partir deste domingo, os familiares que quiserem ir para Brasília e depois para o local mais próximo das buscas, deverão avisar a Gol.Parentes revoltadosFoi por meio da TV que os parentes dos passageiros do vôo 1907 receberam a informação de que, até o início da noite de sexta-feira, 29, não tinham sido localizados sobreviventes do acidente com o avião da Gol. Um grupo de cerca de 30 familiares dos passageiros deixou o hotel em que estavam por conta da companhia aérea para protestar pela demora da companhia e de órgãos oficiais de dar a notícia que já estava sendo divulgada na televisão. "Onde está meu filho agora?", gritou Maria Irani Siqueira, mãe de Plínio Siqueira Júnior, funcionário da empresa de aviões Bombardier que estava no vôo de Manaus para Brasília.O Palácio do Planalto já tinha divulgado nota, assinada pelo porta-voz André Singer, informando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decretara luto oficial pelo "acidente que tomou a vida dos passageiros e tripulantes". Mais cautelosos, a Gol e o Comando da Aeronáutica ainda não tinham divulgado nota confirmando mortes. "A Gol que é dona do avião tem de nos dar informação", disse Manoel da Cunha, cunhado do passageiro Agamenon Araújo. O passageiro, que estava morando em Manaus há seis meses por conta de um novo emprego, comprou o último bilhete disponível para rever a mulher e quatro filhos que residem em Brasília. "A gente sabe o que a imprensa sabe, queremos informação oficial e correta", disse Cunha.Em meio ao protesto improvisado dos parentes dos passageiros, uma equipe da TV Globo resolveu diante da câmera ligar um rádio e deixar uma produtora que estava na sede da emissora em Brasília dar sua versão do acidente: "Não tem sobrevivente", afirmou enfática a produtora pelo rádio, pegando os parentes de surpresa. Os parentes começaram a entrar em desespero, cena registrada pela atenta câmera da Globo. O protesto terminava aí. Só meia hora depois, dentro do hotel, os parentes receberam a informação oficial de que não tinham sido localizados sobreviventes durante o dia de buscas na selva.No Rio de Janeiro, a situação não foi diferente. Parentes e amigos de passageiros do avião da Gol viveram momentos de tensão, apreensão, esperança, angústia e desespero enquanto aguardavam notícias numa sala reservada do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, zona norte da cidade. Até o início da noite de sexta, eles não sabiam oficialmente se havia sobreviventes no acidente. Sônia Dória, ainda na esperança de rever o marido, o sanitarista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Nilo Dória fez um apelo emocionado. "Vamos intensificar as buscas, unir os esforços para ver o que acontece. O tempo é precioso para eles. Estou na luta desde às 20 horas de sexta-feira", disse ela, chorando e, ao mesmo tempo, amparada pelo filho do casal, Vitor Dória, de 17 anos. O sanitarista viajara segunda-feira a Manaus, para dar consultoria à Secretaria de Saúde do Estado do Amazona. Ele era um dos principais pesquisadores do Rio na área de hemodiálise e trabalhava na fundação há mais de 20 anos, relatou o diretor da Fiocruz, André Gemal. Além de Nilo, a sanitarista Valéria Cruz também estava no vôo da Gol com destino ao Rio. O diretor da entidade foi até o aeroporto para dar assistência aos familiares dos seus funcionários. Ele ficou revoltado com a falta de informação da companhia aérea. "É um desrespeito aos parentes e até mesmo aos passageiros que viajavam no avião", criticou. A engenheira Ana Maria de Carvalho chegou por volta de oito horas da manhã no aeroporto. Ela queria informações sobre o irmão Luís Antônio Pereira de Carvalho, que estaria no vôo. Sem êxito. Inconformada, comprou passagem com destino a Brasília e foi, entre outras coisas, consolar a nora. Assim que teve notícia sobre o encontro dos destroços do avião, Sérgio Luís Moraes de Souza correu para o aeroporto em busca de informações. Ele é cunhado da Maria Auxiliadora Macena, que constava da lista de passageiros. Ela fora a Manaus na semana passada, cuidar da mãe, que estava muito doente e acabou falecendo na quarta-feira."Enquanto há vida há esperança", afirmou, emocionado. Souza criticou o despreparo da Gol no atendimento aos familiares. "Eles pedem para a gente ficar em casa, mas não recebo informações lá. O que adianta? Então vim para cá tentar agir".(Colaborou Liege Albuquerque)

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