Traficante em regime aberto não volta à prisão desde segunda

Condenado a 22 anos por tráfico, Alexander da Silva, o Polegar, obteve benefício após cumprir 1/6 da pena

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

15 de setembro de 2009 | 18h53

Apontado como o chefe do tráfico de drogas no Morro da Mangueira, o traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, saiu da cadeia pela porta da frente na madrugada de segunda-feira e não voltou mais. Condenado a 22 anos por tráfico e associação para o tráfico, Polegar obteve o benefício para o regime aberto após cumprir um sexto da pena.

 

O juiz Carlos Borges, da Vara de Execuções Penais (VEP), autor da decisão, disse que cumpriu a Lei baseado no parecer da Secretaria de Administração Penitenciária que considerou o comportamento do preso "excelente" e na ausência de novas provas produzidas pela polícia. No entanto, ele reconheceu que a evasão da maioria dos detentos beneficiados.

 

"O regime aberto é um sistema falido, pois 90% dos presos não voltam. O Rio possui apenas um albergue com capacidade para 400 presos. Muitas vezes eles não têm espaço para dormir", afirmou o juiz. O Ministério Público foi contrário a progressão de regime do traficante.

 

Esta é a segunda vez que Polegar fugiu após ser beneficiado pela Justiça. Ele foi preso em 2002, em Fortaleza, no Ceará, após ficar foragido por sete meses depois de obter o livramento condicional. Desta vez, os advogados de Polegar já haviam tentado quatro vezes que o cliente deixasse a cadeia para atividades extramuros ou sob livramento condicional. Uma Igreja Evangélica e uma floricultura ofereceram empregos ao traficante.

 

Polegar é sobrinho de Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, apontado como o antigo chefe do tráfico na Mangueira. Ele ficou conhecido em 2001 após ser apontado pela polícia como o líder da invasão à carceragem da Polinter. Na ocasião, 40 homens armados usaram um caminhão para derrubar um muro e libertar 14 presos. No entanto, a participação dele nunca foi comprovada.

 

Polegar deixou a Casa do Albergado por volta de 5h05 acompanhado da mulher e de dois advogados. O traficante foi para a Favela do Arará, em Benfica, na zona norte, onde a liberdade foi comemorada com tiros para o alto disparados por comparsas, de acordo com moradores. Ele deveria ter retornado para o albergue ao meio dia de ontem, mas não apareceu.

 

O governador do Rio, Sérgio Cabral, culpou a atual legislação. "Já colocamos todo o aparato de segurança atrás dele. Esse episódio serve para, mais uma vez, fazermos uma reflexão sobre a legislação condescendente com assassinos e bandidos de toda a espécie", afirmou. Presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, a deputada federal Marina Magessi (PPS-RJ), que é ex-policial e participou da prisão de Polegar em 2002, discordou. "Não é um erro da Lei, mas de interpretação dos Juízes que é utópica. Um bandido de alta periculosidade como ele nunca voltará a dormir na cadeia todos os dias, porque será morto pelos inimigos em uma emboscada. O Polegar me disse isto quando foi preso", revelou.

 

Beneficiados

 

A concessão de benefícios já favoreceu vários traficantes. Zacarias Gonçalves Rosa Neto, o Zaca do Dona Marta, sumiu da mesma Casa do Albergado em 2006 e foi recapturado apenas este ano. O sequestrador e traficante Robson Roque da Cunha, o Robson Caveirinha, foi beneficiado em janeiro de 2007 e também não retornou. Ele foi morto três meses depois em confronto com policiais na Favela de Vigário Geral, no subúrbio do Rio. No ano passado, Marcelo Soares de Medeiros, o Marcelo PQD, ganhou o direito a Visita Provisória ao Lar em fevereiro e foi preso em junho quando tentava retomar o Morro do Dendê, na Ilha do Governador, acompanhado de seis homens fortemente armados.

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