Polícia/Divulgação
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Traficante mais procurado do Brasil é preso no Paraguai

Marcelo Piloto possui uma extensa ficha criminal e estava foragido há anos

Ana Paula Niederauer e José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

13 Dezembro 2017 | 10h52

O traficante Marcelo Fernando Pinheiro Veiga, conhecido como Marcelo Piloto, de 42 anos, foi preso nesta quarta-feira, 13, na cidade de Encarnación, no Paraguai. Piloto, que era um dos criminosos mais procurados do Brasil, estava escondido havia cerca de cinco anos no país vizinho, de onde remetia armas, drogas e munições para abastecer as favelas dominadas pelo Comando Vermelho (CV), no Rio de Janeiro.

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Piloto foi detido por agentes da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) do Paraguai, no bairro Arroyo Porâ, que abriga ex-barrageiros, no departamento de Itapúa. O traficante foi surpreendido em sua casa e não ofereceu resistência.

De acordo com a Senad, a detenção foi possível graças a uma investigação realizada com apoio da Polícia Federal do Brasil e da Agência Antidrogas Americana (DEA).

Piloto possui extensa ficha criminal, que inclui crimes de homicídio, tráfico, associação para o tráfico e roubos. Ele era um dos líderes da facção carioca e chefiava o tráfico de drogas de Manguinhos, na zona norte do Rio. Preso em março de 1998, cumpriu pena até progredir para o regime semiaberto em 2007. Quando teve direito a uma saída temporária, deixou a prisão por seis dias e não voltou mais.

Antes de fugir para o Paraguai, o criminoso liderou quadrilhas de roubos de carro e cargas e teria participado da derrubada do helicóptero da Polícia Militar, em 2009, no Morro dos Macacos, em Vila Isabel. Homem de confiança de Fernandinho Beira-Mar, ele herdou a rede de tráfico de Marcelinho Niterói, morto pela Polícia Federal no complexo da Maré, em 2011.

Piloto também fez parte do grupo de dez traficantes acusados do resgate de Diogo de Souza Feitoza, o DG, de 29 anos, da 25ª Delegacia, no Engenho Novo, em julho de 2012. O traficante costumava organizar bailes funk e circulava pelas comunidades em carros de luxo roubados, exibindo armas.

Recompensa

A polícia chegou a oferecer uma recompensa de R$ 10 mil por informações que levassem à sua prisão e ele fugiu para o Paraguai. No país vizinho, passou a controlar o tráfego na fronteira. Há suspeita de que tenha participado do planejamento da emboscada que resultou na morte do narcotraficante Jorge Rafaat Toumani, em junho de 2016, em Pedro Juan Caballero, na fronteira com o Brasil. A ação teria sido organizada junto com o Primeiro Comando da Capital (PCC), mas Piloto acabou rompendo com a facção paulista meses depois em razão da disputa pelo controle do tráfico de drogas e armas na fronteira.

Até ser preso, ele vinha operando na remessa de drogas e armas para o CV no Rio. De acordo com o titular da Senad, Hugo Vera, os agentes tentam prender outros integrantes do grupo de Marcelo Piloto que trabalhavam no envio de drogas em grande escala para outros países. A polícia paraguaia também quer esclarecer se ele teve participação no roubo à empresa de valores Prosegur, em abril deste ano, em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil. Como o brasileiro usava documentos falsos e tinha uma pistola no momento da prisão, ele deve permanecer preso no Paraguai até o fim da operação.

No Sistema de Cadastramento de Mandados de Prisão da Polícia Civil do Rio constam 20 mandados contra Marcelo Piloto. Ele já tem 25 anos de prisão a cumprir, além dos processos que ainda não tiveram julgamento definitivo.

O secretário de Segurança Pública do Estado, Roberto Sá, disse que a prisão desarticula o fornecimento de armas, munição e drogas para o Comando Vermelho. Segundo ele, a Secretaria vai pedir para interrogar o preso assim que ele for trazido para o Brasil.

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