Traficante negociava venda de drogas da cadeia

Preso na Operação Nocaute, Bruno Loureiro foi pego em grampo fechando negócio de Bangu

Marcelo Auler, O Estadao de S.Paulo

14 Fevereiro 2009 | 00h00

Apontado pela Polícia Federal como um dos principais revendedores de lança-perfume no Rio, responsável pela compra dos 2.962 frascos da droga apreendidos nos dez meses da Operação Nocaute, o jovem Bruno Oliveira Loureiro, de 24 anos, encontrava-se preso no Complexo Penitenciário de Bangu ao ser pego pelos grampos dos agentes federais negociando a compra e o transporte do entorpecente para o Rio.Ele cumpria pena de quatro anos e seis meses de prisão em regime fechado após ser preso, em 2005, com 351 frascos de lança-perfume por dois Policiais Militares. Loureiro tentou subornar os PMs oferecendo R$ 5 mil e uma motocicleta. A condenação por tráfico de entorpecentes e por corrupção teve a pena reduzida pela mudança da Lei de Tóxico. Em junho, foi posto em liberdade condicional.Na véspera de sair do presídio, porém, ele ainda foi "escutado" pelos federais conversando por celular com seu comparsa Cláudio Machado Vasconcelos. Cobrava informações sobre a chegada de quatro "mulas" (pessoas contratadas para o transporte de drogas) com carregamentos de lança-perfume que a polícia não conseguiu apreender.O intermediário entre Loureiro e os fornecedores do lança-perfume, fabricado legalmente na Argentina, era Jorge Edson Saiss, motorista de táxi em Francisco Beltrão, no Paraná. Ele foi preso em 21 de junho, junto com Ianne Braga Melo e Thiago Neves de Oliveira - duas "mulas" enviadas por Loureiro -, ao entregar-lhes 360 frascos da droga para trazerem para o Rio. Outros 360 frascos estavam em seu carro.Loureiro, mesmo na condição de preso em liberdade condicional, foi à Argentina e aos Estados do Sul do Brasil negociar novas remessas de lança-perfume e novos roteiros para a droga chegar ao Rio. A partir dessa viagem, passou a contar com a ajuda de um fornecedor da cidade de Dionísio Cerqueira, em Santa Catarina, ainda não identificado pela polícia. Contratou ainda a intermediação de Raphael Kauling, de Curitiba. Com ele, as "mulas" deixaram de ter contato direto com o fornecedor.MONITORAMENTOMesmo com novas rotas, Loureiro continuou monitorado pela polícia e perdeu outros três carregamentos de drogas. Em 18 de julho, os agentes federais da DRE do Rio prenderam 720 frascos de lança-perfume com quatro mulas, em um ônibus, em Piraí (RJ). Cerca de 100 quilômetros dali, no mesmo dia, no bairro de Laranjeiras, outros policiais da DRE apreenderam sete quilos de haxixe que eram transportados por Joacir Almeida Vieira Júnior, Fabio Lopes de Faria e Paulo Henrique Torqueto, a serviço de Loureiro. A droga foi comprada por R$ 7 mil do paranaense Hermisson Avelino Batista.Além de já ter sido preso e condenado por tráfico de drogas, por conta do lança-perfume apreendido em 2005, Loureiro também teve uma prisão em flagrante por porte ilegal de arma, mas foi absolvido da acusação. Na quarta-feira passada, ele foi encontrado pelos agentes policiais em sua casa, em Vila Isabel, zona norte do Rio. Nem os familiares de Loureiro nem seu advogado foram localizados para comentar o caso.

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