Traficante no Paraguai teria ordenado chacina em Guaíra

No dia da chacina que deixou 15 mortos, parentes das vítimas disseram que ele teria encomendado o crime

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

25 de setembro de 2008 | 16h39

O mandante e financiador da chacina em Guaíra - que deixou 15 mortos e oito feridos - seria um traficante e contrabandista brasileiro que mora no Paraguai. "Ainda estamos trabalhando com essa informação, que foi repassada por populares", afirmou o delegado da Polícia Federal em Guaíra, Érico Ricardo Saconato, nesta quinta-feira, 25.   Veja também: Testemunhas temem por represálias  Ouça o relato do repórter Bruno Paes Manso  Sem proteção, sobreviventes correm risco   Todas as notícias sobre a chacina       Saconato destacou que a investigação a respeito da chacina é feita pela Polícia Civil. "Mas como se trata de uma pessoa ligada ao contrabando e ao tráfico de drogas em âmbito internacional, que está inclusive refugiada no Paraguai, estamos tratando isso na Polícia Federal, porque nos interessa esta investigação paralela", afirmou.   "Mas ainda não temos nada de definitivo para divulgar", disse Saconato na tarde desta quinta. O responsável pelo inquérito na Polícia Civil, delegado Pedro Lucena, não estava na delegacia nesta tarde. De acordo com investigadores, ele tinha ido ao Paraguai em companhia de repórteres.   Saconato disse que, no dia da chacina, parentes de vítimas e outras pessoas que imaginavam que familiares poderiam estar entre os mortos aglomeraram-se na entrada da chácara. "Vários comentaram em alto e bom som que isso era serviço de determinada pessoa, deram o nome dele", salientou.   "Inicialmente não ligaríamos um fato com o outro, mas agora estamos fazendo a investigação nesse sentido e a suspeita é forte." Segundo o delegado, a pessoa investigada já tem passagens pela Polícia Federal em Guaíra. "É imensamente mais capitalizada (que os acusados diretos da morte) e com mais recursos que os demais", disse.   Prisões decretadas   Três pessoas foram apontadas como diretamente ligadas à chacina e tiveram as prisões decretadas pela Justiça - Jair Correa, seu filho Gleisson Correa, e Ademar Fernando Luiz. Segundo as informações, alguns dos mortos teriam envolvimento na morte de um enteado de Correa, Dirceu de Souza Pereira, ocorrida há pouco mais de um mês, e também havia uma dívida de R$ 4 mil a ser cobrada.   No entanto, a Polícia Federal acredita que a pessoa apontada como mandante também teria interesse na morte, que acabou concretizada, de Jossimar Marques Soares, conhecido como Polaco, e de alguns de seus comparsas. Ele era o proprietário da chácara onde ocorreu a chacina, que seria um ponto de distribuição de drogas.   Saconato levantou a hipótese de que a chacina possa ter extrapolado o que foi planejado inicialmente e acabou chamando mais atenção das autoridades policiais. Em razão disso, ele não descarta que os três acusados possam ter sido mortos em represália. "É uma suposição e não temos nenhuma informação sobre isso", destacou.   Ele afirmou que policiais brasileiros e paraguaios estão mobilizados na captura. "Temos que contar com a situação de estarem no Paraguai e estarem vivos", disse. "Mas sabemos que isso também pode não estar acontecendo."

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