Traficante procurado pela Interpol é preso em Uberlândia

Em Minas Gerais, o alemão abriu um comércio e já estava cursando Arquitetura em uma universidade

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

15 de abril de 2008 | 11h51

Um dos traficantes mais procurados no mundo foi preso pela Polícia Federal na segunda-feira, 14, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro. Frank Armin Dahmen, de 53 anos, é procurado mundialmente pelas autoridades alemãs, sendo o último criminoso ainda foragido de uma quadrilha de 14 pessoas, que no período de 1996 a 2001 traficava anfetaminas, maconha e cocaína. Os demais presos da quadrilha foram condenados entre sete e 13 anos de prisão.   Segundo a PF, Frank estava foragido desde 2001, após decretação de prisão da quadrilha no qual fazia parte. Ele chegou em São Paulo na mesma época, se mudando posteriormente para Uberlândia, onde possuía uma comércio instalado e estava fazendo faculdade de arquitetura numa universidade local.   Ele vivia em Uberlândia desde 2004, onde cumpria uma rotina tranqüila e discreta, sem demonstrar sinais de riqueza. Dahmen também não se preocupou em mudar a identidade. A PF não tem informações de que ele tenha mantido a atividade de traficante no período em que permaneceu no município do Triângulo Mineiro.   Vigiado nas últimas três semanas pelos agentes federais, o alemão foi preso quando retornava de uma viagem. Ele foi abordado pelos policiais federais por volta das 17h45, nas proximidades de sua residência, no bairro de classe média baixa Sejismundo Pereira. Dahmen não resistiu à prisão. Ele morava sozinho numa casa de fundos e nas buscas realizadas pelos policiais não foram encontradas armas ou drogas.   Levado para a sede da PF em Uberlândia, o alemão foi transferido para a Superintendência em Brasília e ficará à disposição da Embaixada da Alemanha no Brasil. Posteriormente, ele poderá ser extraditado para seu país de origem. Segundo a PF, as investigações prosseguem para averiguar possíveis conexões internacionais do alemão no País.   "Foi expedido pelo Supremo Tribunal Federal um mandado de prisão preventiva para fins de extradição. De alguns endereços constava esse de Uberlândia. Em investigações constatamos que em uma residência morava uma pessoa sozinha cujas descrições físicas eram semelhantes com as passadas pela Interpol", disse o delegado Julio Bortolato, que comandou a prisão.   Discrição   Moradores vizinhos à residência que Dahmen ocupava há pelo menos dois anos disseram que nunca notaram movimentações estranhas. O alemão era considerado bastante discreto. "Era uma pessoa calada, só chegava e saía, não costumava comentar nada. A casa parecia sempre fechada", disse o músico Cláudio José, de 31 anos, que mora em frente ao local. "A gente não via ninguém na casa", reforçou uma senhora, que preferiu não se identificar.   Nos últimos meses, depois de fechar seu pequeno restaurante - chamado Comilão Lanches -, Dahmen, quando questionado, dizia que vinha sendo sustentado pela mãe, que mora na Alemanha.   Ele cursava o último ano de arquitetura no Centro Universitário do Triângulo (Unitri). De acordo com um colega de curso, o acusado de tráfico internacional era uma pessoa "tranqüila", mas um típico alemão, às vezes "sisudo". A Unitri informou que nenhum representante da universidade iria se pronunciar sobre o assunto.   Texto atualizado às 18 horas para acréscimo de informações   (Colaborou Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo)

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