Traficante quer colaborar com polícia dos EUA

Segundo advogado, Abadía prefere ser extraditado, mas medida depende de decisão da Justiça brasileira

Rodrigo Pereira, Marcelo Godoy e Vannildo Mendes, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2009 | 00h00

Um dos maiores traficantes do mundo, o colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía, quer se tornar colaborador da Agência Antidrogas Americana (DEA, na sigla em inglês). Ramiréz Abadía deseja ser extraditado para os Estados Unidos e cumprir as condenações por tráfico e assassinato que pesam contra ele naquele país. Quem afirma tudo isso é o advogado de Abadía no Brasil, Sérgio Alambert."Meu cliente pediu que eu entrasse em contato com o DEA e demonstrasse a vontade dele em colaborar", disse Alambert. Segundo o advogado, o colombiano já esteve contato com agentes da DEA. "Na hora da prisão havia dois agentes da DEA, que tentaram interrogá-lo lá." Mas Ramírez Abadía se recusou a falar com eles. "Tenho minha vida inteira para falar com vocês quando estiver lá (nos EUA)", disse o colombiano aos homens da DEA.Segundo o advogado, o traficante "assume e tem consciência dos crimes imputados a ele nos Estados Unidos e quer ser deportado para lá". O Supremo Tribunal Federal (STF) aguarda a comunicação da prisão do colombiano para definir se dá preferência ao pedido de extradição ou ao processo que ele responde na Justiça Federal por lavagem de dinheiro. Caso prevaleça a segunda hipótese, Abadía será primeiro julgado no Brasil e terá de cumprir pena, de 3 a 10 anos de reclusão, se condenado. Depois, será transferido aos EUA, onde é acusado de tráfico e assassinatos. "Ele deixou claro que, já que vai ter que enfrentar o problema, que seja logo, de uma vez", prossegue o advogado, que espera conseguir a extradição antes da conclusão do processo sobre lavagem de dinheiro que levou a PF a prender o colombiano. O traficante exige, no entanto, uma "extradição condicionada" - que a pena seja limitada a 30 anos, como determina a legislação brasileira. Isso impediria que recaísse contra ele uma eventual prisão perpétua ou a pena de morte, condenações comuns nos tribunais americanos para os crimes que o colombiano admite ter cometido."Há jurisprudência no Supremo que determina isso. Então, ele só pode ser deportado se os Estados Unidos assinarem um termo se comprometendo a não ultrapassar os 30 anos de prisão", diz Alambert. Em 1996, o colombiano fez um acordo com a Justiça colombiana. Entregou-se em troca da redução de sua pena de 24 anos para 13 anos . Ele cumpriu 6 anos e foi posto em liberdade. O advogado acredita que a extradição será rápida, "pois há um interesse muito grande dos americanos". Os EUA fixaram em US$ 5 milhões o prêmio por sua captura. Até agora, o STF não expediu o decreto de prisão para fins de extradição, pedida pelos EUA em 31 de julho e distribuída ao ministro Eros Grau em 2 de agosto.

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