Traficantes "autorizam" reabertura de creche em Minas

Traficantes de seis favelas da região oeste da capital mineira "autorizaram" nesta segunda-feira a reabertura da Creche Tia Lucy, na Vila São Jorge. A instituição comunitária, que atende 159 crianças, havia sido fechada na quinta-feira por determinação dos líderes do tráfico local. O motivo seria a disputa entre grupos rivais pelo controle da venda de drogas no morro. Apesar de a Polícia Militar de Minas Gerais oferecer escolta aos funcionários, nenhum deles foi trabalhar na sexta-feira. No final de semana, a presidente da creche, Nedir Neri de Santana, recebeu a autorização de um dos grupos do tráfico, depois que uma funcionária do berçário, irmã do traficante "Nem Sem-Terra", que comanda a parte alta da favela, pediu demissão. A irmã do traficante vinha sendo ameaçada de morte. Pela lei do morro, segundo moradores, quem vive na parte alta está proibido de freqüentar a parte baixa da favela, onde estão a creche e um posto de saúde. A PM mineira rejeita a versão de que traficantes dominem o local. "Quem dá toque de recolher aqui na região é a polícia. Traficante aqui não apita", afirmou o sargento Alberto Ferreira de Souza, relações públicas do 22º Batalhão. Apesar da resistência da própria presidente da creche, dois policiais militares continuam vigiando a instituição "24 horas por dia e por tempo indeterminado", disse o sargento. A Creche Tia Lucy foi fundada em 1982 e conta com 15 funcionários.

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