Traficantes entram novamente em confronto com policiais no Rio

Traficantes de drogas promoveram mais ações violentas nesta sexta-feira no Grande Rio. À tarde, criminosos da favela do Timbau, no Complexo da Maré, zona norte da capital, trocaram tiros com a polícia na Linha Vermelha, ferindo dois moradores ? uma criança de 10 anos e uma mullher de 55. Mais cedo, na favela Parada de Lucas, também na zona norte, dois traficantes morreram em outro tiroteio. Em Niterói, no bairro da Engenhoca, seis carros que estavam estacionados em ruas próximas ao morro dos Marítimos amanheceram destruídos pelo fogo.O garoto Fladimir da Mota Oliveira saía de casa, no Timbau, quando foi atingido por três tiros, que atravessaram a perna e a coxa esquerdas. Ele também ficou ferido na coxa direita, onde uma bala ficou alojada. Fladimir foi submetido a uma cirurgia e está em observação. Hana Gena Cattu de Laurent levou um tiro dentro de casa. Ela está com um projétil alojado na axila direita e está em observação. A ação dos bandidos foi por volta das 15 horas. Traficantes da favela atiraram na direção da Linha Vermelha, perto do campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), assustando motoristas. A PM revidou. O trânsito foi interrompido na via por dez minutos para que os carros não fossem alvejados.Mais cedo, a polícia havia feito operações nos morros de Parada de Lucas e Mangueira, ambos na zona norte. Em Parada de Lucas, dois traficantes, Alexandre Reis da Silva, de 20 anos e seu irmão Tiago Reis da Silva, de 16,morreram durante troca de tiros. Na Mangueira, nada foi apreendido e ninguém foi preso ou ferido.CarrosA polícia não sabe quem queimou os carros em Niterói, mas acredita que se tratou de uma ação de traficantes em represália à prisão, ontem, de dois criminosos do morro do Estado. A favela, assim como o morro dos Marítimos, é dominado pela facção criminosa Terceiro Comando. Opoliciamento na região foi reforçado.Os donos dos carros disseram que vão entrar na Justiça contra o Estado para receber indenização. O aposentado Dorival Barcelos Santos, de 42 anos, teve a frente do seu Chevette destruída pelo fogo e ficou indignado. ?Segunda-feira estamos entrando com a ação coletiva (na Justiça). Não quero carro novo, só o prejuízo que tive. Estou brigando pela pouca vergonha. Tem gente que perdeu tudo?. O carro dele não tinha seguro e estava à venda. ?Quem vai querer comprar? Estou indo morar em Minas Gerais por causa da violência. Agora, vou mais rápido?, contou Santos, morador do bairro há 30 anos.Ainda de madrugada, funcionários da empresa de ônibus Viação Real, que circulam pela zona sul e pelo centro, precisaram de proteção policial para trabalhar, por causa de ameaças de traficantes da favela Boa Esperança, quefica no Caju, zona portuária do Rio. Segundo um funcionário que não quis se identificar, os bandidos haviam proibido a circulação dos coletivos antes domeio-dia, quando o normal é começar às 6 horas. A polícia, no entanto, nega que tenha havido qualquer ordem. Não foram registrados incidentes.OperaçãoCerca de 50 policiais civis voltaram à tarde ao Morro da Pedreira, em Costa Barros, zona norte ? onde, na quinta-feira, sete traficantes foram mortos, entre eles, Juan Carlos dos Santos e Joanito Carlos dos Santos, sobrinhos do traficante Paulo César da Silva Santos, o Linho, que domina a região. Os policiais procuravam armas e drogas, mas, até o fim da tarde, nada havia sido encontrado. A região é a mesma em que, há uma semana, outros cinco traficantes foram mortos. O delegado Túlio Pelosi, da Delegacia de Roubos eFurtos de Cargas (DRFC), disse que as operações na favela vão continuar para ?marcar a presença da polícia.?Veja o especial:

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