Traficantes expulsam seis famílias de favela do Rio

Seis famílias - ao todo, 23 pessoas ligadas por laços de parentesco - foram expulsas, sob ameaça de morte, por traficantes da favela da Carobinha, em Campo Grande, na zona oeste do Rio, e tiveram de recorrer hoje a proteção de 60 PMs para retirar das casas objetos, móveis e eletrodomésticos. A expulsão aconteceu porque uma jovem de 12 anos, de uma das famílias ameaçadas, depois de espancada por bandidos da região, deu queixa da agressão à Polícia Civil.O espancamento, seguido de intimidação armada, ocorreu porque a garota foi a um baile funk em outra comunidade, dominada por um bando rival. Em 20 de julho, a menor P., visitou uma tia na favela do Barbante, em Santíssimo, também na zona oeste, e decidiu ir ao baile. Ao voltar, no dia seguinte, à Carobinha, teve a casa invadida por traficantes, que a levaram para um lugar conhecido como Quadra 100, onde a espancaram e deram tiros - sem a balear - para intimidá-la.Três dias depois, acompanhada de parentes, P. deu queixa na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Segundo o inspetor Paulo Tinoco, da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Campo Grande, que investiga o caso, P. acusou das agressões Paulo César Martins, o PC, apontado como "gerente" do bando do traficante Celso Luiz Rodrigues, o Celsinho da Vila Vintém, e José Djalma Pinto, que se diz pastor evangélico, mas que também seria ligado ao tráfico.Uma das tias da menina contou à reportagem que desde então toda a família vinha sofrendo ameaças. Os traficantes ordenaram que a queixa fosse retirada e ofereceram dinheiro. Os bandidos chegaram a procurar a menina novamente, ameaçando raspar-lhe a cabeça, mas o avô impediu a nova agressão. O inspetor Tinoco confirmou que a família o procurou e pediu que a acusação fosse retirada, mas explicou que o pedido não pôde ser atendido porque se trata de "crime de ação pública incondicionado", no qual, por lei, a vítima não tem a prerrogativa de retirar a queixa. PC e o pastor estão sendo acusados de tentativa de homicídio e estão foragidos.Esta é a segunda vez, em menos de um mês, que moradores de favela foram obrigados a deixar as casas sob ameaça do tráfico no Rio. Há duas semanas, quinze pessoas da mesma família tiveram de sair às pressas do Morro dos Macacos, em Vila Isabel zona norte. Na ocasião, seis pessoas tiveram de se refugiar em um matagal para fugir dos bandidos que os ameaçavam de morte. A segurança e a retirada da família foram garantidas por policiais civis e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), porque policiais militares do 6º Batalhão de Polícia (Tijuca) se recusaram a protegê-los e a subir o morro à noite.

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