Traficantes fecham comércio na Tijuca

Uma vez mais, traficantes de drogas do Rio de Janeiro determinaram o fechamento de parte do comércio de um bairro da capital, em manifestação de luto pela morte de um criminoso. Horas depois de a Polícia Militar balear em troca de tiros o integrante da quadrilha local Fábio Chagas Júlio, 28 anos, lojistas da área próxima ao Morro do Borel, na Tijuca (zona norte), foram obrigados a cerrar as portas. O risco de represálias é implícito, explica um comerciante.Diferentemente de outras ocasiões, entretanto, a área atingida se restringiu a poucos quarteirões do bairro. O traficante morto tem como apelido o nome de um tipo de fuzil ? Parafal. De acordo com a polícia, ele era gerente das bocas-de-fumo do Borel e portava uma pistola calibre 380 e uma granada quando foiatingido, na manhã de ontem. Parafal ainda foi levado para o Hospital do Andaraí, mas morreu em seguida. Rapazes ligados ao tráfico desceram o morro e avisaram a comerciantes que deveriam fechar as lojas. ?São uns moleques de 12, 13 anos que vêm dar recado. O pessoal se assusta e muita gente fecha porque vê os outros fazerem isso?, comenta umlojista. Um menor de idade foi preso em flagrante quando ameaçava funcionários do comércio.A presença de 60 homens da PM tranqüilizou poucos. ?Essas patrulhas são o mesmo que nada. Na semana passada, passaram aí, atiraram na polícia e foram embora?, relatou um vendedor que se negou a informar o nome. ?Está louco??Até o vigilante de um grande supermercado da região ? que trabalha armado ?, teme dar informações à imprensa. A um promotor de vendas que barrou no portão, deu uma explicação sucinta e resignada para o fechamento. ?Ordens do tráfico.?O medo torna as pessoas reféns da vontade dos criminosos. ?O posto de gasolina está aberto porque não me mandaram fechar. Senão eu fechava. Se eles (os traficantes) mandarem eu fechar o seu jornal eu fecho. Manda quem pode, obedece quem tem juízo?, disse o gerente de um posto.PânicoUma suspeita de arrastão no túnel Zuzu Angel ? que liga aGávea a São Conrado (zona sul) ?, às 22 do domingo, deixou motoristas cariocas em pânico e a pé. Muitos abandonaram os carros no túnel e saíram correndo. A situação só foi controlada quando a polícia chegou. A empresa administradora do túnel negou ter havido arrastão e afirmou que os motoristas se assustaram com tiros que vinham na favela da Rocinha, próxima ao túnel.O trânsito foi liberado meia hora depois e ninguém foi preso. Ummotorista disse só ter visto policiais correndo armados. ?Não fiquei esperando para ver o que era. Desci do carro, como muita gente.? O caso não foi registrado em nenhuma delegacia, o que, segundo o chefe da Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, dificulta as investigações.

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