Traficantes impedem prefeitura de iluminar ruas de São Paulo

Em alguns locais das zonas norte e leste, funcionários só trocam lâmpadas com escolta da Polícia Militar

Camilla Haddad, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

Traficantes de drogas têm impedido a restauração da iluminação pública em ruas da cidade de São Paulo. A fim de manterem as vias às escuras, bandidos proíbem a troca de lâmpadas e o conserto de transformadores, entre outros serviços, segundo o Departamento de Iluminação Pública (Ilume). Para trabalhar, os funcionários do órgão têm recebido escolta da Polícia Militar ou da Guarda Civil Metropolitana. Quem ousa realizar a manutenção sozinho sofre ameaças e abandona a atividade. Ocorrências do tipo foram registradas em pelo menos sete ruas da capital, a maioria nas zonas leste e norte. O caso mais recente de represália aconteceu na Rua Padre Francisco de Moura Roli, em Artur Alvim, na zona leste. A via ficou sem iluminação por dois meses, depois de todas as lâmpadas queimarem. O serviço de troca dos equipamentos foi realizado no dia 3, quando técnicos do Ilume trabalharam escoltados por PMs. Antes disso, os moradores da rua só tinham a lamentar pela demora do serviço. Para eles, o medo do tráfico é uma desculpa.Assim que a reclamação foi registrada, funcionários do Ilume visitaram o local. A resolução do problema, por sua vez, foi adiada. Na ocasião, o departamento alegou aos moradores que a equipe responsável pela manutenção foi expulsa sob a ameaça de "maus elementos". Após essa justificativa para a não realização do serviço, os moradores continuaram a apelar até que os técnicos voltaram ao local. A PM confirmou que recebe chamados do Ilume pelo telefone 190.Por questão de segurança, empresas que prestam serviço ao Ilume não comentaram o caso. O Ilume informou apenas que os técnicos normalmente saem às ruas em dupla. Eles utilizam caminhonetes ou caminhões para casos de reparos maiores, como a troca de um transformador. O trabalho, muitas vezes arriscado, é realizado durante as 24 horas do dia. No total, são 47 equipes, que atuam distribuídas em seis áreas e cobrem toda a cidade, incluindo os túneis, que também sofrem com a ação de vândalos que furtam os fios de cobre nas madrugadas. Também procurada, a Eletropaulo não quis manifestar-se sobre o assunto. Um técnico da empresa, flagrado na rua pela reportagem, contou que colegas já foram impedidos por bandidos de entrar com caminhão de trabalho em bairros da cidade.O sistema de iluminação pública da cidade é o maior do mundo, segundo a Prefeitura. São 560 mil pontos de luz, distribuídos por 17 mil quilômetros de rede - o equivalente ao trajeto entre o Brasil e o Japão. Cerca de 300 lâmpadas da iluminação pública queimam diariamente por causa do término de sua vida útil, ação do tempo ou vandalismo.RECLAMAÇÕESPara reclamações sobre o serviço prestado pelo Ilume ou pedidos de troca de lâmpadas queimadas, os moradores devem ligar para o Ligue-Luz, no telefone 0800-7220156. Esse mesmo número registra sugestões e oferece informações sobre iluminação pública. Só em abril, de acordo com o Ilume, foram registrados 800 pedidos de reparos por dia. O prazo de atendimento é de quatro dias para a troca de lâmpadas. No caso de substituição de um transformador, a demora é maior - de dez a 15 dias. Para pedidos de instalação de iluminação pública, a orientação é procurar a subprefeitura. NÚMEROS560 mil pontos de luz estão instalados na cidade de São Paulo17 mil quilômetros é o tamanho da rede de energia elétrica, distância equivalente ao trajeto entre Brasil e Japão800 pedidos de reparo por dia foram feitos ao Departamento de Iluminação Pública, da Prefeitura, em abril300 lâmpadas de rua queimam diariamente na capital por causa do término de sua vida útil, ação do tempo ou vandalismo

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.