Traficantes impõem luto por morte de comparsa

Traficantes da favela São José Operário, em Jacarepaguá, zona oeste do Rio, determinaram nesta sexta-feira o fechamento de lojas e escolas de uma rua do bairro em sinal de luto pela morte de um dos líderes do comércio de drogas no local.Até o ponto final de uma linha de ônibus foi deslocado. O traficante, conhecido como Neném, trabalhava como gerente do chefe da favela, conhecido como Meirinho. Neném morreu durante a invasão do morro por bandidos rivais, do Morro do Fubá, na madrugada desta sexta.O corpo do criminoso foi encontrado pela manhã, em uma rua que dá acesso ao morro, com sinais de tortura, as mãos amarradas para trás e vários tiros de fuzil.Segundo a Polícia Militar, o morro São José Operário é dominado pela facção criminosa Comando Vermelho, enquanto o Fubá, pelo grupo Amigos dos Amigos. Os dois morros ficarão ocupados pela polícia por tempo indeterminado.A direção da Viação Novacap recomendou aos fiscais da linha 284 (Praça Seca-Praça Tiradentes), com ponto final na Rua Aruti, perto da favela, que se retirassem do local nesta sexta pela manhã."Foi uma imposição do morro, mas não houve ameaça. Um rapaz muito educado, sem mostrar armas, me disse que tínhamos que trocar o ponto porque um morador havia sido assassinado", contou o gerente de operações da empresa, Paulo Torres, ressalvando que não sabia se tratar de um traficante.Mesmo com a presença de policiais do 18º Batalhão da PM, os lojistas da rua Aruti não abriram as portas. "Não sei quem mandou fechar, mas não vou arriscar. Se eles aparecerem aí depois, nós não teremos como nos defender, porque a polícia terá ido embora", disse uma comerciante, que não quis ser identificada. Apenas o Posto de Atendimento Médico (PAM) Newton Bethlem ficou aberto.

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