Traficantes jogam granada em posto da polícia no Rio

Em represália à morte de um traficante, um grupo de criminosos jogou uma granada no Posto de Policiamento Comunitário (PPC) da Vila do João, no Complexo da Maré, na madrugada de hoje. Doze policiais estavam no posto, mas ninguém ficou ferido. Eles reagiram e houve intenso tiroteio, que durou cerca de quatro horas. Os traficantes dispararam nos transformadores e a favela ficou às escuras até o início da tarde de hoje. O comércio foi obrigado a fechar.O traficante Ademilson Simões Barbosa, o Lesado, foi morto na segunda-feira, numa troca de tiros com policiais. Com ele, a polícia encontrou uma submetralhadora Uzzi e 191 porções de cocaína. Lesado era suspeito da morte de dois PMs no Trevo das Margaridas, em Irajá. Já na noite de segunda-feira, o comércio teve de fechar as portas. De madrugada, os traficantes seguiram para a rua principal da Vila do João e lançaram a granada contra o PPC, atingindo os fundos do prédio. Um grupo conseguiu escapar, pulando o muro da escola municipal professor Josué de Castro. Outros traficantes trocaram tiros com policiais, que precisaram de reforços. Ninguém foi preso.O grupo que atacou o posto policial é ligado ao seqüestrador Paulo César da Silva Santos, um dos mais procurados pela polícia fluminense. Apesar do intenso tiroteio na madrugada, nenhum policial circulou na Vila do João entre as 10 horas e o meio-dia de hoje. O relações-públicas da PM, coronel Luiz Antônio Corso, informou que 50 policiais patrulhavam a favela, mas a reportagem encontrou apenas um PM no posto de policiamento atacado.Pela manhã, os comerciantes permaneceram com as portas fechadas. Funcionários sentaram-se no meio-fio, esperando o momento em que salões de beleza, sapatarias, bares, lanchonetes voltassem a funcionar.Somente padarias e drogarias tinham permissão para abrir. O dono de uma farmácia, preocupado com o movimento de fotógrafos e cinegrafistas em torno da loja, decidiu fechar por conta própria. ?Não quero ficar mal com ninguém?, disse o comerciante, que está ali há 15 anos. ?Toda vez é assim, temos que fechar tudo. Estou cheio de duplicatas para pagar?. O dono da farmácia, que fica perto ao PPC, não confia na presença da polícia. ?Eles não conseguem nem defender a si mesmos?.As normas do tráfico já são conhecidas até por quem acaba de chegar à favela. Uma família de chineses que inaugurou na Vila do João a pastelaria Beng também não abriu as portas. ?Ninguém quer arriscar?, disse um comerciante.

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