Tráfico controla prostituição em áreas do Rio

Menores recolhidos na Favela do Jacarezinho voltam à cracolândia

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de abril de 2009 | 00h00

Um dia após a Operação Choque de Ordem recolher 47 pessoas na cracolândia da Favela do Jacarezinho, sendo 25 adolescentes, os menores viciados voltaram ao local e ontem chegaram a abordar o secretário municipal de Assistência Social, Fernando William. "Um menino de 8 anos, que parecia ser consumidor do entorpecente, bateu no vidro do carro e me pediu ?pelo amor de Deus, me dá dinheiro?", revelou o secretário. Segundo ele, o consumo de crack no Rio é "uma epidemia comparável à da dengue". Ontem, 17 dos 25 menores permaneciam nos abrigos. Três adolescentes eram de cidades no interior do Rio e foram enviados para abrigos em seus respectivos locais de origem. Cinco foram embora. O secretário de Assistência Social visitou os postos. "No abrigo Raul Seixas, um menino contou que não comia havia cinco dias e uma menina me pediu desculpas, mas disse que o crack a chamava."O secretário avaliou como "alarmantes" as condições encontradas por assistentes sociais, policiais e agentes da 1ª Vara da Infância e Juventude na cracolândia do Jacarezinho, na quarta-feira. "Para conseguir a pedra de crack na favela, os meninos assaltam e as meninas se prostituem", reconheceu William. Doze barracos onde os menores faziam programas por R$ 10 ou até R$ 2 foram demolidos. O sexo feito sem proteção fez com que crianças e adolescentes já representem 20% dos atendimentos aos portadores de sífilis e gonorreia no posto de saúde da região. De acordo com investigações da Delegacia de Combate às Drogas, a Favela do Jacarezinho foi uma das pioneiras na venda de crack - a droga já ultrapassou as demais em volume comercializado. Antes a cracolândia ficava num terreno baldio no interior da comunidade, mas o descontrole dos usuários levou ao aumento dos furtos na favela e provocou a reclamação dos moradores. Logo, os traficantes mandaram que os viciados ficassem na Avenida D. Helder Câmara, um dos principais acessos ao Jacarezinho.De acordo com a Secretaria de Assistência Social, o consumo de crack está relacionado à prostituição em 9 dos 11 bairros mapeados onde há exploração sexual de crianças e adolescentes. Nessas regiões, a venda da droga e a prostituição seriam gerenciadas diretamente por traficantes. Na zona norte, o problema se repete no Meier, Madureira, Praça da Bandeira e Quinta da Boa Vista, ponto de prostituição e consumo do entorpecente. Na zona portuária, ocorre em Santo Cristo e nos fundos da Central do Brasil. O mesmo se vê na Lapa e em outras regiões do centro. A prostituição no Flamengo e em Copacabana também já estaria sob a influência de traficantes. "O mapa ainda está incompleto, mas na próxima semana vamos fechar um plano de ação para o combate da exploração de crianças e adolescentes no Rio", prometeu o secretário. FRASESFernando WilliamSecretário de Assistência Social "Um menino de 8 anos, que parecia ser consumidor do entorpecente, me pediu: ?Pelo amor de Deus, me dá dinheiro?""Para conseguir crack, os meninos assaltam e as meninas se prostituem

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