Tráfico de elite trocava ecstasy por maconha

Quadrilha da zona sul subia os morros cariocas para fazer escambo

Clarissa Thomé, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A Operação Octógono, que desbaratou uma quadrilha de traficantes de classe média que atuava na zona sul do Rio, revelou que os jovens da área nobre abasteciam os morros do Rio com drogas sintéticas. De acordo com o inspetor Ricardo Di Donato, isso ficou claro na atuação de pelo menos um dos acusados, Maycon Igor Soralick, de 20 anos, preso em flagrante na quinta-feira com haxixe e maconha. "Ele fazia escambo, principalmente com os traficantes do Morro Santo Amaro, no Catete. Levava ácido e ecstasy e descia com maconha e haxixe", afirmou o inspetor, que chefiou a operação e é responsável pelas investigações sobre drogas sintéticas na Delegacia de Combate às Drogas (DCod).A polícia vem investigando o crescimento das vendas de drogas sintéticas no Rio, nos últimos anos. Ontem, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que o setor de inteligência rastreou a rota dessas drogas. "Já sabemos por onde elas vêm. Mas é complicado (coibir) porque a distribuição é muito capilarizada. Com um pequeno volume da substância se consegue grande quantidade de drogas. É muito fácil distribuir", afirmou. PRIVATEA quadrilha presa ontem vendia ecstasy nacional e importado, a preços que variavam entre R$ 25 e R$ 50. "As drogas eram comercializadas em raves, PVTs (abreviação das Privates, festas com pouca divulgação, fechadas para poucos) e day after (a festa que ocorre depois das raves e serve para se gastar a energia que ainda sobrou das drogas)", explicou Di Donato. Os presos também são acusados de venderem entorpecentes em bares, ruas e instituições de ensino. Uma adolescente de 17 anos, aluna de um tradicional colégio carioca, também é acusada. "Há interceptações telefônicas em que o namorado dela pergunta se ela já havia cobrado a dívida de consumidores", afirma o inspetor. A delegada Patrícia Aguiar vai pedir, na segunda-feira, a apreensão da adolescente ao Juizado de Infância e Juventude. POLÊMICANo dia da prisão, o tio de Jessica de Albuquerque e Corrêa, que preferiu não se identificar, criticou a prisão "apenas dos buchas". "Eles são a ponta. Por que não vão atrás dos verdadeiros traficantes, os que trazem as drogas?", indagou. Ontem, o secretário Beltrame respondeu a essa pergunta. "Eu posso dizer que as pessoas que estão presas são traficantes, não usuárias. São pessoas que tinham comércio desse tipo de drogas e a investigação revela isso", afirmou. O governador Sérgio Cabral Filho lamentou o envolvimento de jovens com o tráfico. "Jovem de qualquer classe social envolvido com criminalidade é triste. Nada deve dar mais tristeza para um pai do que ter o filho envolvido com o crime. Mas não vamos discriminar. Vamos combater qualquer tipo de delinqüência em qualquer classe social", afirmou.

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