Tráfico expulsa família de favela em BH

Traficantes do Morro das Pedras, região Oeste de Belo Horizonte, comandados por Júnio César, o Juninho, de 19 anos, expulsaram neste domingo uma família da favela, depois de arrombar os portões da casa e efetuar vários disparos nas paredes. Segundo o sargento Moisés Pires, da PM, o bando de Juninho tem cerca de 20 pessoas e controla a parte de cima do Morro das Pedras. Eles são inimigos do grupo comandado pelo traficante Chula, que atualmente está preso e se recuperando de um tiro que levou no rosto e o deixou cego de um olho, disparado pelos rivais.Júnio César e parte de seu bando, depois de ter invadido a residência na tarde de sábado, voltaram na madrugada deste domingo à procura dos cunhados Vagner e Cleisson Rodrigues, que, supostamente, seriam do grupo de Chula. Na casa moram a irmã de Vagner, Cíntia Aparecida Rodrigues, de 23, sua filha e a avó. Segundo Cíntia, seu irmão está viajando e há muito tempo não aparece na favela. Na segunda invasão, Juninho disse à Cíntia que abandonasse o imóvel, caso contrário todos, inclusive sua filha, seriam mortos.Na manhã deste domingo, Cíntia arrumou um caminhão de mudanças, mas antes que retornasse à casa, ocorreu nova invasão, dessa vez pelos amigos de Chula, que, fortemente armados, se posicionaram no local para enfrentar os rivais. Sem alternativa, Cíntia procurou a PM, por volta das 10h, para que os militares fizessem a escolta de sua mudança. Os PMs foram ao local e prenderam os menores I.S.T. , de 13, e T.H.R., além do office boy Marcus Vinícius dos Santos, de 18. Segundo os militares, outros dois rapazes fugiram um pouco antes. O fato mais surpreendente é que o menor I.S.T. foi preso com uma espingarda calibre 28, arma de alto poder de destruição. O menor disse que adquiriu a arma na Praça Sete, por R$ 1 mil, para se defender de Juninho, que o jurou de morte. Por volta das 14h deste domingo, a família abandonou a casa de seis cômodos, onde moravam há 23 anos, com medo dos traficantes cumprirem a promessa. Duas viaturas da PM fizeram a escolta do caminhão até ele sair do Morro das Pedras. Cíntia, que é manicure, disse estar com muito medo, principalmente por causa da filha, e espera reconstruir sua vida em outro lugar que, obviamente, não quis revelar onde é. As informações são do site do Estado de Minas.

Agencia Estado,

11 de novembro de 2002 | 10h24

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