Tráfico faz arrastão no Rio e mata catequista

Padre foi baleado; disparo atingiu tanque de veículo, que pegou fogo

Pedro Dantas, O Estadao de S.Paulo

04 de dezembro de 2007 | 00h00

Uma professora de catecismo e um padre tiveram o carro onde estavam metralhado, durante um arrastão pelas ruas de Copacabana e Botafogo, na zona sul do Rio. Um disparo atingiu o tanque do veículo, que pegou fogo. Baleada na barriga e na cabeça, Vitória Lúcia Marques, de 55 anos, morreu na madrugada de ontem no Hospital Miguel Couto. O padre gaúcho Frank Franciscatto, de 41, foi baleado no braço esquerdo, operado e não corre risco de vida.A polícia acredita que os autores do arrastão sejam traficantes de drogas de uma favela da região. O crime ocorreu na Rua da Passagem, uma das mais movimentadas do bairro. A cena de homens armados com fuzis e do carro incendiado, às 21 horas, apavorou os moradores, que socorreram as vítimas após o ataque, e preocupou as autoridades. "Esse crime abre um precedente grave em um bairro aristocrático, com vários colégios, representações diplomáticas e intenso comércio. Vamos dar prioridade à investigação para que a população sinta que foi um fato isolado", disse o delegado Eduardo Baptista.A primeira vítima foi o motoboy Magno de Oliveira Paiva, que disse ter sido abordado pelo bando pouco antes das 21 horas, na Avenida Princesa Isabel, em Copacabana. Dominado, ele entregou as chaves do Tempra para o bandido. Em seguida,três homens que estariam em um EcoSport entraram no carro roubado e fugiram na direção de Botafogo.Na esquina da Praia de Botafogo com a Rua da Passagem, os bandidos detiveram um taxista. Apavorado, o motorista correu e abandonou o carro. Os criminosos desistiram e pararam alguns metros à frente na rua. Foi quando abordaram o carro dirigido pelo padre. A polícia acredita que o religioso se assustou e os bandidos pensaram que ele ia fugir. Um assaltante armado com um fuzil AR-15 deu uma rajada de tiros. Os disparos atingiram o padre e a professora de catecismo."Ouvi os tiros e desci atrás da minha mãe que saíra para comprar uma pizza. Ao chegar à rua, conseguimos com outro rapaz tirar o padre, mas tivemos dificuldade para retirá-la do carro, que já pegava fogo. Ela estava muito ferida na cabeça e na barriga", disse Rafael Fernandes, de 24 anos. Alguns segundos após o crime, os bandidos pararam o Peugeot onde estava a família do comerciante chinês Chab Chen-Wu e fugiram na direção da Praia de Botafogo. Uma patrulha perseguiu e trocou tiros com o bando no Aterro do Flamengo. Um dos pneus do veículo foi atingido e a quadrilha abandonou o carro na frente do Museu de Arte Moderna. No carro, eles deixaram um carregador para fuzil AR-15 e munição. O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, culpou a falta de efetivo pelo fato de os bandidos terem percorrido 12 quilômetros - numa área com três delegacias e dois batalhões da PM - sem encontrar resistência.

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