Tráfico fecha lojas e suspende aulas no Rio

O tráfico impôs nesta quarta-feira, uma vez mais, o fechamento do comércio e a suspensão das aulas em escolas de Bonsucesso, bairro da zona norte do Rio, em luto pela missa de uma semana da morte de Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê, assassinado na rebelião da penitenciária de Bangu 1. Uma cerimônia celebrada no início da manhã desta quarta-feira na igreja Nossa Senhora das Mercês reuniu cerca de cem parentes e amigos de Uê e dos outros três presos assassinados no motim. Entre 8h e 9h30, todo o comércio das redondezas do Complexo do Alemão baixou as portas, coagido por enviados da quadrilha de Uê.De acordo com a assessoria de imprensa da Arquidiocese do Rio, a igreja não poderia impedir a missa dos criminosos, porque eles ?têm família e também são filhos de Deus?. O padre da paróquia não quis se pronunciar sobre o assunto. A Polícia Militar manteve grande aparato durante todo o dia na região, com o objetivo de garantir o funcionamento normal das lojas e evitar manifestações de protesto pela morte do criminoso. Não houve incidentes.O comércio, no entanto, funcionou precariamente. No início do dia, nenhum estabelecimento comercial abriu - até o fim da missa dedicada aos presos assassinados. Às 12h30, muitas lojas e bancos permaneciam com as portas cerradas. As escolas João Barbalho (municipal) e Cardeal Leme (particular), próximas à igreja, não tiveram aulas.Na pública, professoras e inspetores afirmaram que não houve classe de manhã por falta de alunos. O estudante da 6ª série M.V., de 13 anos, disse que não haveria aulas por causa da missa de Uê. ?Ele não merece homenagem nenhuma. Eu queria ter aula, fico em casa, sem nada para fazer?, disse o menino.O clima nas ruas do bairro era tenso. O repórter fotográfico do Estado Otávio Magalhães foi agredido com um soco, xingado, ameaçado e detido pelo sargento Ribeiro, do 22º Batalhão da PM, que achou que tinha sido fotografado e exigiu o filme.Descontrolado, o policial alegou ter sido desacatado por Magalhães, que disse não ter tirado fotos do PM. Ribeiro afirmou que mora em área de risco e não pode ser identificado porque teme represálias de traficantes. O sargento fez questão de ir até a 21ª Delegacia para reportar o fato. Ambos foram liberados em seguida.

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