Tráfico impõe toque de recolher na zona leste de São Paulo

Era feriado no bairro. Essa foi a justificativa dos moradores da Fazenda da Juta, na zona leste de São Paulo, para o toque de recolher imposto nesta quarta-feira por traficantes de droga por causa do assassinato de Pompílio Pereira de Andrade, de 31 anos, acusado de tráfico e roubos.Dezenas de lojas e bares, escolas e até um posto de saúde passaram o dia com as portas fechadas. As peruas de lotação que circulavam no bairro foram obrigadas a exibir na frente cruzes pretas feitas com fita adesiva. Mesmo assim, a polícia negava o óbvio, afirmando que aquilo não era um toque de recolher.Pompílio, como era conhecido no bairro, foi assassinado nesta terça-feira, às 16h50, em frente do bar Cabana do Burro. Quatro homens o cercaram, atiraram e fugiram. A suspeita é de que o crime, registrado no 55º Distrito Policial, tenha sido um acerto de contas. A vítima, de acordo com a polícia, teria ligações com a exploração do serviço de peruas de lotação na região.Pela manhã, bandidos espalharam a ordem de que nada poderia funcionar na parte baixa do bairro, afastada da Avenida Sapopemba. Na sede do Projeto Educar, do governo do Estado, havia um cartaz afirmando que as aulas estavam suspensas naquele dia, porque "estava faltando água". Ali perto, na Rua da Ponte, uma moradora explicava o que estava ocorrendo: "Diz que é feriado." A sede da Unidade de Saúde Fazenda da Juta 2 também estava fechada. Nela funciona o Projeto Qualis, o programa de saúde da família do governo do Estado. Ao lado, uma outra escola estava fechada.

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