Tráfico queima 4 ônibus na zona norte

Pitbull, líder na Mangueira, foi baleado e chegou morto ao hospital

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

29 de janeiro de 2009 | 00h00

Traficantes do Morro da Mangueira, na zona norte do Rio, incendiaram ontem quatro ônibus em ruas próximas da favela, em represália à morte de três criminosos durante operação da Polícia Civil. Entre os mortos está o chefe do tráfico local, Leandro Monteiro Reis, o Pitbull, procurado há mais de um ano pela polícia.Durante a ação, os policiais encontraram no porão de uma casa um paiol dos criminosos. Foram apreendidas uma metralhadora ponto 30, um fuzil, duas pistolas e meia tonelada de maconha. Outro fuzil foi apreendido com um dos traficantes mortos. Quatro pessoas foram presas e quatro ficaram feridas.Logo que a operação começou, pouco antes das 9 horas com 80 policiais de várias delegacias especializadas, houve intensa troca de tiros e dois criminosos morreram. Segundo informações recebidas pelo titular da Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), delegado Marcus Vinícius Braga, polícia, o chefe do tráfico da favela, Pitbull, estava entre os feridos. Por volta das 18 horas, o corpo de Pitbull foi levado para o Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, por pessoas da favela, mas ele já estava morto.O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, lamentou o ataque aos ônibus e disse acreditar que a morte de Pitbull pode abalar a quadrilha que domina os pontos-de-venda de drogas no morro. "Não estamos preocupados em retirar um ou dois. O problema é muito maior do que esse. Temos de criar ambientes de segurança em diversas áreas do Rio, que cresceu durante décadas de maneira desordenada", disse.Pouco depois das 10 horas, cerca de 100 moradores desceram para ruas de acesso ao morro em protesto contra a ação policial. Eles quebraram o vidro de uma viatura. Ao mesmo tempo, seis homens em três motos pararam dois ônibus na Rua Ana Néri e jogaram coquetéis molotov. Em um dos ônibus, o da linha 474 (Jardim de Alah - Jacarezinho), duas pessoas ficaram levemente feridas. O outro ônibus, da linha 312 (Olaria - Praça Mauá), ficou parcialmente queimado e o motorista conseguiu conduzi-lo até a garagem. Por volta do meio-dia, outro grupo de criminosos a pé e desarmados entraram em um ônibus da linha 665 (Pavuna - Saens Pena), no Largo do Pedregulho (outro acesso ao morro), mandaram o motorista abrir as portas para que os passageiros saíssem. "Foi tudo muito rápido. Eles subiram logo que parei no ponto de ônibus gritando palavrões e mandando todo mundo fugir. Começaram a jogar gasolina dentro do ônibus e só deu tempo de todos correrem", contou o motorista Briolanges Aguiar. No final da operação, às 15 horas, traficantes colocaram fogo em outro ônibus, na Rua São Francisco Xavier, em frente ao câmpus da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.Segundo o delegado Braga, o ataque aos ônibus foi ordenada por líderes do tráfico da Mangueira para tentar acabar com a operação policial. Braga comemorou a apreensão das drogas e das armas afirmando que o objetivo principal fora atingido. "O foco era o paiol, que foi encontrado. Uma metralhadora ponto 30 custa R$ 60 mil no mercado negro. Para eles, a apreensão é um baque", disse. Parte do comércio no pé do morro fechou as portas por causa do tiroteio. O trânsito em várias ruas próximas da Mangueira foi interditado pela Polícia Militar. Mais de 50 homens do 22ª BPM, 4º BPM e do Batalhão de Choque reforçaram a proteção de áreas perto da Mangueira.

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