Tráfico retoma atividades após saída do Exército

Sem o Exército nas entradas das favelas, o tráfico retomou suas atividades com toda força. Criminosos voltaram a circular armados e o movimento de compra e venda de drogas é normal. Durante a ocupação militar algumas favelas, como Rocinha e Providência, chegaram a ter prejuízos de 70%.A inspetora Marina Maggessi, chefe do setor de Investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, explicou que essas duas favelas têm comércio mais forte. Segundo Marina, o Morro da Providência abastece a "população flutuante" que freqüenta a Central do Brasil e o Terminal Rodoviário Américo Fontenelle, além dos "yuppies da Avenida Rio Branco, a Wall Street do Rio de Janeiro". "Os motoboys já estão podendo subir para buscar a droga", disse. Já a Mangueira é freqüentada pelos "antenados da zona sul". "É a favela social, o samba dos intelectuais".De acordo com a inspetora, em algumas favelas, a operação do Exército surgiu pouco efeito. "O tráfico interno não parou. Ninguém vai ao Complexo do Alemão para comprar drogas. Eles vendem para os moradores. Só vem gente de fora quando tem baile funk". Marina lembrou que o Alemão é conhecido pela violência dos traficantes. Depois do assassinato do jornalista Tim Lopes, em 2002, quando fazia reportagem sobre o baile funk, a polícia descobriu ossadas num lugar que ficou conhecido como microondas, onde os corpos eram queimados. "Aquelas 200 ossadas eram de usuários". Na quarta-feira, um dia depois da ocupação da Rocinha por 300 soldados da Polícia do Exército e do batalhão de Pára-quedistas, o tráfico, que se manteve discreto com a presença dos soldados, já estava de volta às ruas mais movimentadas, onde é intensa a circulação de moradores, vans, mototáxis, táxis, ônibus e veículos de passeio.A equipe de reportagem do Estado chegou a ser intimidada naquele dia, por volta das 12h30, depois que o fotógrafo fez imagens da aglomeração de pessoas e veículos na parte baixa da Via Ápia, um dos principais acessos à parte mais alta do morro. Dois homens com rádio-transmissores e mochilas observavam a passagem do carro, que andava em baixa velocidade, dada a grande quantidade de adultos e crianças na rua. Um rapaz, que aparentava ter 18 anos, bateu com violência no vidro do automóvel, dando ordem para que o motorista parasse. Ele colocou a mão por baixo da camiseta e insinuava que estava armado. A equipe já estava próxima da saída do morro e conseguiu se desvencilhar dos supostos traficantes. Na terça-feira, outro fotógrafo, que acompanhava a operação do Exército, registrou homens exibindo granadas e fuzis. No entanto, eles se posicionaram no alto de lajes, e não no meio das ruas.

Agencia Estado,

16 de março de 2006 | 19h13

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