Tráfico só espera que F. cresça mais

Juiz quer infrator de 12 anos fora de SP

, O Estadao de S.Paulo

10 de janeiro de 2009 | 00h00

O crime organizado do Jardim Ubirajara, na periferia da zona sul de São Paulo, apenas espera o garoto F.R.A., de 12 anos, crescer mais para entregar a ele uma das gerências do tráfico local. Em pouco mais de um ano, o menino foi detido pela polícia dez vezes, na maior parte delas com veículos furtados. A última foi no dia 3. Enquanto não tem idade suficiente, F. recebe cobertura dos criminosos. As informações chegaram durante esta semana ao juiz Iasin Issa Ahmed, da Vara da Infância e da Juventude do Fórum de Santo Amaro. Para proteger o menino, o juiz quer enviá-lo para outro Estado. "Se ele ficar onde está, acaba passando de vez para o lado de lá." Informalmente, a família de F. declarou concordar com a ideia. Agora, Ahmed procura uma instituição que pague a permanência do garoto em regime de internato numa escola fora de São Paulo. A mensalidade é de R$ 1,2 mil. A providência, porém, vai depender do juiz Luis Fernando de Barros Vidal, da 1ª Vara Especial da Infância e Juventude. É que há a possibilidade de F. ir para a Fundação Casa. Para promotores, o fato de o adolescente de 17 anos que estava com ele ter assumido o ato infracional do dia 3 torna remota a possibilidade de internação de F.. A audiência será no dia 28. Antes, o juiz quer ouvir a mãe do garoto. Para o promotor da Infância e Juventude Thales Cézar de Oliveira, é preciso também cobrar a responsabilidade da família. "O que faltou e falta para F. é limite."Ahmed defende que F., antes de ir para outro Estado, fique na Fundação Casa por 45 dias, para ser submetido a um exame psiquiátrico. "Precisamos saber se ele não tem desvio de conduta que mereça tratamento especializado." Segundo o juiz, houve tentativa, no ano passado, de encaminhar F. a um psiquiatra, mas ele não compareceu.Quando a reportagem tentou abordar F. no bairro onde mora, recebeu como resposta de um dos amigos do garoto, todos adultos: "Ele não vai falar porque é ?de menor?." Outro completou: "Se for preciso, a gente leva ele para viajar, o que não pode é ficar todo mundo querendo falar com ele." As bocas de drogas são evidentes. Perto da casa de F. há duas delas.

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