Tragédia com Fokker da TAM completa dez anos

Na manhã de 31 de outubro de 1996, a cidade de São Paulo era palco do então maior acidente aéreo do País, quando o Fokker 100 da TAM caiu na Rua Luís Orsini de Castro, no Jabaquara, zona sul de São Paulo. Passados dez anos, os parentes das 99 vítimas, 3 das quais atingidas no solo, retomaram suas vidas. Serão celebradas missas particulares em algumas igrejas da capital, porém não mais um culto coletivo como ocorreu no sétimo ano da tragédia. "Foi um acidente muito doloroso e a postura da companhia aérea na época meio que levou à união dos parentes e conseqüentemente a uma exposição na mídia muito grande, que foi benéfica para a nossa causa, mas depois de um tempo cansou muito", diz Sandra Assali, viúva de um dos passageiros do vôo 402 da TAM.Sandra coordena a Associação de Parentes de Vítimas de Acidentes Aéreos, que nasceu da tragédia. "Muitas mulheres eram jovens na época e reconstruíram suas vidas. Esquecer, não vão nunca, mas já não querem tocar no assunto", conta.A maioria dos parentes foi indenizada, em valores que vão de US$ 150 mil a US$ 1,2 milhão. Os moradores das casas atingidas foram os mais prejudicados nos processos de indenização.O jornalista e professor Jorge Tadeu da Silva, morador da rua atingida, reclama até hoje na Justiça, sem sucesso. Segundo a TAM, Silva foi indenizado na época, com dinheiro para reconstruir a sua casa e a do seu pai, onde o trem do pouso do Fokker destruiu o quarto. O professor afirma que o valor não foi suficiente. A secretária Maria Nilda Paschoal, de 45 anos, conta história parecida. "Na época, meu irmão teve de colocar dinheiro dele para concluir a obra." Maria Nilda diz que não consegue esquecer o trágico dia e guarda um pedaço de 15 centímetros da fuselagem até hoje.

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