Transferência de presos provocou rebelião em Salvador

Armados com facas e estiletes artesanais 120 presos dopavilhão 2 da Penitenciária Lemos Brito tomaram sete guardas de presídio e 52 visitantes (entre os quais oito crianças) como reféns no final da manhã deste domingo devido à transferência de quatro colegas sexta-feira para o Presídio de Feira de Santana, a 108 quilômetros da capital baiana.Eles reivindicam o retorno imediato dos quatro, a melhoria da alimentação e das assistências médica e judiciária na Lemos Brito. Uma comissão formada pelo juiz da Vara de Execuções Penais Rilton Góes, oficiais da Polícia Militar e diretores da Secretaria da Justiça negociam a libertação dos reféns e o fim da rebelião.Os presos exigiram a presença de jornalistas na parte interna do presídio para mostrar que não estão maltratando os reféns. Chegaram até a concordar em libertar um dos sete guardas, Itamar Sales, hipertenso que estava se sentindo mal. Com isso 57pessoas permanecem com os presos. "Os familiares querem ficar aqui por conta própria", disse um dos líderes da rebelião. Além das facas e estiletes, os detentos estãocom dois aparelhos de telefone celular com os quais conversam com jornalistas. Um dos líderes da rebelião ligou para o programa Balanço Geral, da TV Itapoan (Record) por volta das 12h30 para acusar (ao vivo), a direção da penitenciária de ordenar o espancamento de 77 detentos suspeitos de planejar uma fuga no inicio de fevereiro. "A punição chega rápido, o benefício não", disse. O diretor da Lemos Brito André Oliveira negou os espancamentos e confirmou que as mulheres e crianças supostamente tomadas como reféns circulam livremente. "Elas não saem com as crianças porque não querem", disse. Oliveira explicou que os quatro presos foram transferidos para Feira de Santana porque precisam ser ouvidos em processos de crimes cometidos naquela município.Os quatro presos transferidos, Mário Pereira, Adilson Carvalho, Jackson Bispo e Cláudio Silva tem penas que somam mais de 70 anos. São acusados de latrocínios, assaltos e estupros. O diretor do Presídio de Feira de Santana Antonio Lima, admitiu que eles também foram retirados da Lemos de Brito porque se temia que organizassem uma fuga durante o carnaval.

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