Transferência de renda não reduz taxa de ocupação entre mais pobres

Segundo o IBGE, entre 2004 e 2012, o crescimento do rendimento médio foi maior na base da pirâmide

Daniela Amorim, Agência Estado

29 de novembro de 2013 | 10h14

RIO - Na última década, a renda proveniente do trabalho perdeu peso no rendimento dos brasileiros mais pobres, graças aos programas de transferência de renda. No entanto, a taxa de ocupação entre pessoas desse grupo não caiu, até aumentou, segundo o estudo Síntese de Indicadores Sociais 2013, divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira, 29.

Entre 2004 e 2012, o rendimento médio teve aumento em todas as camadas da população no País. Mas o crescimento da renda foi maior justamente na base da pirâmide, nas faixas com rendimento mais baixo. Os 20% dos brasileiros com menor renda familiar per capita tiveram um aumento real de cerca de 70% de 2004 a 2012. No mesmo período, os 40% com maior renda familiar per capita tiveram aumento de 22% no rendimento médio. O IBGE aponta como explicação para o movimento de redução na desigualdade o crescimento econômico, geração de empregos, política de valorização do salário mínimo e programas de transferência de renda.

Para medir o impacto da transferência de renda sobre o mercado de trabalho, o IBGE separou os dados das famílias com renda per capita de até um quarto de salário mínimo e renda de um quarto a meio salário mínimo. Nas famílias com renda per capita de até um quarto de salário mínimo, perdeu importância a renda proveniente do trabalho (de 78,5% em 2002 para 58,5% em 2012), enquanto a participação de outras fontes de renda aumentou (de 14,3% para 36,3%). No entanto, a taxa de ocupação dessa fatia da população subiu de 76,9% em 2002 para 78,2% em 2012.

Já na faixa de renda per capita de um quarto de salário mínimo a meio salário mínimo, a participação do trabalho na renda saiu de 78,3% em 2002 para 72,3% em 2012, enquanto a fatia da renda obtida por outras fontes subiu de 6,5% para 12,9%. No mesmo período, a taxa de ocupação desse extrato populacional aumentou de 87,6% para 88,2%.

Segundo o IBGE, "as outras fontes contribuíram para aumentar a renda média das famílias sem impactar na participação das mesmas no mercado de trabalho, não havendo, portanto, indícios de incentivos adversos ao trabalho como resultado do recebimento de benefícios do governo".

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