''Transição do PMDB em SP não terá caça às bruxas''

Mas novo presidente do partido no Estado cobrará diretórios municipais que não cumpriram meta de votos para deputado

André Mascarenhas, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2011 | 00h00

Baleia Rossi, deputado estadual e presidente do PMDB-SP

A mudança de órbita no PMDB de São Paulo, com a morte de Orestes Quércia em dezembro, começou a ser posta em prática nesta semana, com a definição das metas para que os diretórios municipais respeitem as decisões do diretório estadual. Fiel ao vice-presidente Michel Temer, o novo presidente da sigla no Estado, deputado estadual Baleia Rossi, decidiu que todos os diretórios que não cumpriram a meta de garantir 5% dos votos para deputados estaduais e federais do partido nas eleições de 2010 serão chamados a prestar explicações.

"Na grande parte dos municípios o PMDB tem um desempenho municipal forte, que não se traduz no resultado da eleição estadual", disse Rossi em entrevista ao portal estadão.com.br.

Ele promete uma transição "democrática, sem caça às bruxas". Outro membros da comissão provisória presidida por ele, porém, afirmam que será necessário intervir em algumas regionais. O objetivo é controlar os diretórios das grandes cidades que não atingiram o porcentual.

Quais são as prioridades da comissão provisória que assumiu o PMDB de São Paulo?

Nós já fizemos na terça-feira a primeira reunião de trabalho para estabelecer metas, debater ideias e definir quais sãos os planos do partido. Isso vai acontecer com muita tranquilidade, respeitando todas as lideranças.

E quais foram as conclusões desse primeiro encontro?

O que nós tiramos dessa primeira reunião foi exatamente a busca da fidelidade partidária. Nós fizemos um estudo já com a porcentagem de votos que o PMDB teve por município para deputado federal e estadual, e estamos comparando com o resultado da eleição de 2008 para vereador e prefeito. E o que a gente percebe é que na grande parte dos municípios o PMDB tem um desempenho municipal forte, importante, que não traduz no resultado da eleição estadual. Isso demonstra que o município está distante do projeto do Estado. E quando analisamos o resultado da eleição do ano passado, a gente vê que o PMDB está perdendo força. De 71 deputados federais elegemos um. E, de 94 estaduais, elegemos 4. O que estamos discutindo, e vamos colocar em prática, é a resolução votada em julho do ano passado, em que o partido pedia o mínimo de 5% de votos para deputados a fim de que o PMDB trabalhasse para o próprio PMDB. Infelizmente não conseguimos alcançar esse objetivo na eleição de 2010.

A resolução previa algum tipo de punição para os diretórios que não alcançassem esse índice?

Não estamos definindo nenhum tipo de punição, mas estamos encaminhando questionamentos para os presidentes dos diretórios para que expliquem por que o PMDB no município não obteve um resultado minimamente razoável. Claro que nós vamos tratar caso a caso, de forma democrática, sem caça às bruxas, sem perseguição. Porque o objetivo não é diminuir o partido, é fazê-lo crescer.

Quais devem ser as estratégias para que o partido ganhe musculatura no Estado?

O grande espelho, a grande referência do partido hoje é o vice-presidente Michel Temer. Acho que o Michel já é a grande liderança do partido. O sucesso que o Michel teve na eleição e na condução do partido nacionalmente é um exemplo que temos de seguir na aplicação aqui no Estado de São Paulo.

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