Trânsito, a ''palhaçada'' de SP

Profissionais do riso ouvidos no Dia do Palhaço foram unânimes em eleger os congestionamentos o pior da cidade

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

13 de dezembro de 2008 | 00h00

Quem ganha a vida fazendo os outros rir também tem seus momentos de tristeza. Para marcar o Dia do Palhaço - na última quarta-feira, dia 10 -, o Estado perguntou a cinco deles qual seria a maior palhaçada da cidade. Todos se lembraram do trânsito. "São muito engraçadas as placas de velocidade máxima nas marginais, de 90 quilômetros por hora", diz, irônico, o palhaço Marcio Ballas, o João Grandão do espetáculo Jogando no Quintal. "Alguém consegue tanto?" Fundador do Espaço Parlapatões e do Circo Roda Brasil, o palhaço Hugo Possolo mostra seu nariz vermelho para a Companhia de Engenharia de Tráfego, a CET. "As estatísticas de trânsito só servem para mostrar que o problema é cada vez maior. Ninguém pensa em uma solução", critica. "A gente tem a CET, sigla de ?Como Engarrafar Tanto?, que se preocupa mais em multar do que em auxiliar."O palhaço Angelo Brandini, da Companhia Vagalum Tum Tum e do grupo Doutores da Alegria, acredita que o problema está no uso individualizado dos carros. "Acho uma palhaçada enorme, no mau sentido, a questão do trânsito desta cidade. Fico vendo aqueles carros parados e é surreal para mim observar dentro deles: quase sempre há apenas um motorista solitário", constata. "Uma pessoa carregando três toneladas de ferro. É a pior palhaçada. Se fosse a pé, chegaria antes."Dois ex-integrantes da famosa companhia canadense Cirque du Soleil, de volta ao Brasil depois de rodar o mundo, também se impressionam negativamente com o trânsito paulistano. "Acho um absurdo as ruas malfeitas, cheias de buracos. Já estourei dois pneus de meu carro (um Audi A3) e tive um prejuízo de R$ 600 cada vez", relata Marcos Casuo. "Em abril, dois ou três dias após meu retorno ao País, aluguei um carro para ir da Consolação até São Bernardo. O trânsito estava horrível, caminhões e ônibus iam me empurrando. Fui chorando pelo caminho. Decidi que não teria mais carro", conta Claudio Carneiro. "Consigo administrar minha vida assim: de metrô, de ônibus e, às vezes, de táxi. Se mais gente fizesse assim, o trânsito não seria tão ruim."

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