Trânsito flui melhor no centro

Zonas leste, sul e norte têm pior deslocamento

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

18 de maio de 2009 | 00h00

Na São Paulo labiríntica, os graus de integração das cinco regiões seguem a lógica do poder aquisitivo da população. As zonas leste, sul e norte estão abaixo da média da cidade, de 0,373. Na região sudeste e no centro, a pesquisa do urbanista Valério Medeiros mostrou que os motoristas se deslocam com mais facilidade. Os índices são de 0,442 e 0,494. "Com o levantamento foi possível comprovar o que os motoristas sentem na prática: as áreas mais valorizadas são também as mais acessíveis", diz o pesquisador. A pedido da reportagem, Medeiros analisou o mapa das 31 subprefeituras da cidade e calculou para cada uma delas o índice de facilidade de deslocamento. Cidade Tiradentes, Guaianases, Perus, Itaim Paulista e M?Boi Mirim tiveram índices abaixo de 0,3. Sair do labirinto nesses bairros leva mais tempo do que em outros lugares. Partir deles até a região central também é mais difícil porque, além da distância, as poucas alternativas acabam por encurralar os motoristas de carros. Pinheiros, Vila Mariana, Mooca e Sé são as subprefeituras com maiores graus de integração - todos entre 0,5 e 0,53. Para se ter uma ideia de que mesmo assim esses índices são baixos é preciso comparar com a média brasileira, de 0,76. No estudo das cidades labirínticas, a média das cidades brasileiras é a mais baixa se comparada às cidades árabes, europeias, asiáticas e americanas. Nesse ranking, Nova York é modelo, com um mapa composto basicamente de vias paralelas e perpendiculares. "O famoso tabuleiro em xadrez aumenta a quantidade de rotas possíveis", diz Medeiros. O mesmo desenho beneficia o sistema viário da Cidade México, onde o tabuleiro xadrez é uma herança dos colonizadores espanhóis. A análise, segundo Medeiros, mostra ao poder público que não adianta apenas ampliar linhas de metrô pela cidade, aumentar a rota de ônibus e criar ciclovias se o mapa paulistano não for revisto. "A forma do lugar explica cerca de 80% dos problemas de mobilidade", diz. "O crescimento populacional e de frota vêm para agravar essa situação."

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