Transporte coletivo pára em Curitiba

Os curitibanos tiveram um dia difícil nesta terça-feira com uma greve inesperada dos empregados do transporte coletivo, decidida em assembléia na noite anterior. Até mesmo o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores nas Empresas de Transporte de Passageiros (Sindimoc), Denilson Pires, ficou surpreso com a recusa de um reajuste de 5% nos salários oferecido pelos patrões. "Tecnicamente é bom", avaliou. Mas a categoria não aceita voltar ao trabalho se não conseguir 11%.Com pouca divulgação anterior sobre a possibilidade de greve, sobretudo em rádios, muitos passageiros foram pegos de surpresa. Pela manhã os ônibus que tentaram sair das garagens foram apedrejados ou tiveram pneus furados por pessoas que faziam piquete. Pelo menos 109 veículos tiveram problemas. Sem ônibus, os táxis trabalharam em dobro e a Companhia de Urbanização de Curitiba (Urbs), que gerencia o transporte, credenciou veículos para fazer lotação, permitindo cobrança de até R$ 4,00 por passageiro (a tarifa do ônibus é de R$ 1,80). Com mais automóveis nas ruas, o trânsito ficou muito lento durante todo o dia.À tarde, depois de uma primeira audiência de conciliação no Ministério Público do Trabalho, o promotor Ricardo Bruell da Silveira determinou que 60% da frota deve estar nas ruas entre 5 e 8 horas e entre 18 e 21 horas. Nos outros horários, no mínimo 40% deve estar trabalhando, sob pena de multa de R$ 50 mil por dia. Tão logo a decisão foi anunciada, por volta das 16h30, alguns veículos começaram a circular. O Ministério Público do Trabalho concedeu prazo até quinta-feira para que patrões e empregados cheguem a um acordo. Caso isso não ocorra, será marcado o dissídio, com a determinação do reajuste pela Delegacia Regional do Trabalho.NúmerosA Rede Integrada de Transporte tem 2.653 ônibus e 14 mil funcionários. O salário inicial de um motorista é de R$ 966,20, mas na média está em R$ 1.142,00, em função da bonificação de 2% por ano de serviço. Os cobradores têm como salário inicial R$ 545,20 e como salário médio R$ 632,00.

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