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Tratamento de beleza vira moda entre crianças

Banho de ofurô para bebês, hidratação para meninas e aniversário com cremes e sais para grupos de 15 anos

Valéria França, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Spas urbanos, que antes só lidavam com adultos, começam a abrir suas portas para crianças de todas as idades. Em ambientes silenciosos, com decoração zen que inclui lírios brancos, elas são recepcionadas por mulheres elegantes e perfeitamente maquiadas. Como gente grande, recebem máscaras melequentas no rosto, descamam levemente a pele morta do corpo e também entram em ofurôs perfumados. Os mais novos, com pouco mais de 1 ano, praticamente mergulham com patinhos de borracha, entre outros brinquedinhos, mas sempre acompanhados dos pais."Estamos implantando um novo estilo de vida para as crianças", diz Tânia Ginjas, diretora responsável pela área de spa da L?Occitane do Brasil. "Na essência, o tratamento é igual ao do adulto, porém com produtos e técnicas mais suaves", diz Blanch Marie Lamotta, de 31 anos, dona de um spa que leva seu nome, nos Jardins, zona sul. A novidade surgiu espontaneamente, na recepção da clínica. No início, as crianças apareciam lá como acompanhantes. Ficavam sentadas na sala de espera até a mãe acabar o tratamento, ou seja, no mínimo uma hora. "Algumas clientes começaram a perguntar se as filhas poderiam fazer alguma coisa também. E o spa passou a adaptar os tratamentos", diz Blanch. A clínica, hoje, oferece dois pacotes infantis, com duração de até uma hora e meia, a partir de R$ 110, que incluem combinações de dois ou três tipos de tratamento, entre eles, massagem, pedras quentes, drenagem linfática, acupunturas, esfoliação e hidratação. "Tenho crianças obesas e ansiosas que se beneficiam muito com os tratamentos da clínica." As meninas são maioria, mas há meninos também. Elas só vão pela beleza; eles, se precisam de fato. As meninas têm orgulho e os meninos, vergonha. "Eu conto para todas as minhas amigas", diz Isabela do Nascimento, de 11 anos, uma das clientes mirins que chegaram pelas mãos das mães. "Quando não tenho com quem deixar minha filha, ela me acompanha", explica a mãe, Ana Claudia do Nascimento, de 32 anos. "Um dia perguntei se ela não gostaria de fazer uma massagem. Ela adorou a ideia. Hoje quer fazer todos os tratamentos que faço." Isabela faz drenagem linfática para ativar a circulação e limpeza de pele. "É gostoso. Relaxa. Tenho várias coisas da escola para fazer. Tenho cinco professores. Cansa muito", reclama a menina. "Massagem para relaxar só faz sentido para quem está tenso pela pressão do cotidiano, o que não deveria fazer parte das aflições de uma criança", diz a terapeuta de família Lídia Aratangy. A procura, no entanto, também acontece apenas pelo bem-estar físico que a massagem proporciona. "Minha filha adora. Ela faz circo e estala o corpo todo, desde a hora que acorda", diz Larissa Cambaúva, de 36 anos, diretora de arte e cenografia de filmes para publicidade, mãe de Rafaella, de 10 anos, que faz aulas de lycra, uma técnica circense em que um tecido é amarrado no teto, servindo de base para o praticante subir, descer, se enrolar e se contorcer. Exige habilidade e força muscular. SOCIALIZAÇÃO "Minhas clientes dizem que é um dos poucos momentos que conseguem ficar com as filhas", diz Blanch. Em geral, mães e filhas dividem a mesma sala durante a sessão. E o spa passa a ter para elas o mesmo papel que o futebol no relacionamento entre pai e filho. Tem criança comemorando até aniversário no spa. No Recife, o Spa L?Occitane abriu o espaço Festivités, para grupos de pré-adolescentes que comemoram a data entre cremes e aromas. "Não abrimos para crianças menores porque o spa tem de ser um lugar silencioso. É impossível conter várias delas juntas", diz Tânia, que começou a implementar o serviço agora em São Paulo. No Lesedi, spa holístico no Campo Belo, zona sul, as crianças já estavam integradas ao ambiente antes mesmo de os tratamentos serem estendidos a elas. Como ali também funciona uma escola de ioga e pilates, sempre houve atividades paralelas que atraíssem a família inteira, de sessões fotográficas de viagens pelo mundo a contações de histórias. "As crianças recebem os tratamentos enquanto os pais fazem aulas de ioga e pilates. Em julho, a procura é grande", diz Leila Souza Pinto, coordenadora do spa."Se não houver exagero de culto ao corpo, terapias relaxantes não fazem mal", diz Maurício de Souza Lima, hebiatra do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas. "Mas é importante lembrar que criança não é um adulto em miniatura", diz Wellington de Jesus Furlani, dermatologista da Universidade Federal de São Paulo. Os pequenos são mais sensíveis que os adultos.

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