TRE de Roraima rejeita contas de Anchieta Júnior

O Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) reprovou ontem, por unanimidade, a prestação de contas da campanha do governador reeleito José de Anchieta Júnior (PSDB), já alvo de sete pedidos de cassação. O relator, Leandro Saon, listou várias irregularidades nos gastos, que totalizaram R$ 9,7 milhões. Para o presidente do TRE, Ricardo Oliveira, as contas são "uma afronta à Justiça Eleitoral".

Loide Gomes, O Estado de S.Paulo

18 de dezembro de 2010 | 00h00

O procurador regional eleitoral, Ângelo Goulart, estuda pedir a cassação do tucano por abuso de poder político e econômico.

O que mais chamou a atenção do TRE foi o gasto com pessoal. Foram usados R$ 5.521.455 para pagar cabos eleitorais, com a emissão de 24 cheques, sacados pelo próprio candidato. Para o Ministério Público, a conduta "obsta qualquer forma de controle do vínculo entre contratante e contratado" e possibilita "acobertamento de crimes diversos", como compra de votos.

A análise das contas encontrou divergências de nomes e CPFs, servidores públicos na campanha, entre outras falhas. Os juízes fizeram uma comparação com a campanha da presidente eleita Dilma Rousseff. Ela gastou R$ 11 milhões com pessoal - Anchieta investiu metade desse valor no menor colégio eleitoral do País, de 271 mil votantes.

Denúncia. O índio José Newton Simão de Lima, que gravou o procurador-geral de Roraima, Francisco das Chagas Batista, oferecendo R$ 120 mil em troca de votos para reeleger Anchieta disse ontem ter recebido ameaças de morte por telefone. "O homem disse que eu iria me arrepender por ter feito a denúncia contra o governador", disse.Ele registrou boletim de ocorrência, mas frisou que não recuará.

Anchieta disse ontem que sua diplomação "referenda o resultado das urnas". Ele alegou que é hora de superar "questões menores, de política partidária".

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