Trecho Sul pode abrir ainda neste ano

Extensão já tem 88% das obras concluídas e deverá ter a inauguração antecipada em até quatro meses

Daniel Gonzales, JORNAL DA TARDE, O Estadao de S.Paulo

20 de junho de 2009 | 00h00

O Trecho Sul do Rodoanel Metropolitano Mário Covas - 61,4 km entre a Rodovia Régis Bittencourt, na zona oeste de São Paulo, e a Avenida Papa João XXIII, em Mauá - já tem 88% das obras concluídas e deverá ter a inauguração antecipada em até quatro meses. A reportagem sobrevoou toda a construção, a maior obra de engenharia em andamento hoje na América Latina. Do alto, é possível ver todas as pistas escavadas. Há 30 trechos, somando cerca de 10 km, que já receberam cobertura de uma das duas camadas de pavimento previstas e a maioria dos 136 viadutos e pontes, que juntos somam 20 km - um terço da extensão do Trecho Sul -, está concluída. Mais da metade (55%) do Trecho Sul terá as faixas cobertas por asfalto, por questões de assentamento do solo; 45% da extensão terá pavimentação de concreto.Oficialmente, essa extensão deve ficar pronta até março de 2010. Mas técnicos já cogitam adiantar a abertura para este ano. No início de 2009, quando surgiu essa expectativa, a data marcada foi novembro. Agora, o mais provável é a inauguração em dezembro. Quando a construção do Trecho Sul foi iniciada, em junho de 2007, a primeira data prevista em contrato para entrega era 2011.Entre pontes, acessos e viadutos, falta concluir as maiores, como a de 1,75 km sobre a Represa Billings, a mais extensa de todo o Rodoanel, hoje com um dos lados 90% pronto e o outro já tendo alcançado 53% da obra. Perto dali ficará a maior rotatória de acesso/saída do Rodoanel. Será uma das maiores do País, com 1 km de diâmetro, na Via Anchieta, para facilitar o trânsito de grandes caminhões. As praças de pedágio - serão seis - estão em etapa de concretagem. "Estamos fazendo de tudo para adiantar a entrega do Trecho Sul", diz Paulo Vieira de Souza, diretor de Engenharia da Dersa. Só o mau tempo, diz, pode prejudicar a conclusão antes do prazo.O Trecho Sul teve a construção dividida em cinco lotes, cada um com uma extensão e sob a responsabilidade de um consórcio de empresas. Os lotes 1, de 12,5 km (Grande ABC), e 2, de 6,9 km (na área da Via Anchieta), são os que se encontram com a construção mais avançada, com 90% do traçado pronto. Há, porém, uma série de dificuldades. A maior, até agora, foi a da construção da maior ponte na Billings. Artificial, a represa, criada nos anos 30, apresenta inconsistência no material que está depositado em solo, sob as águas, bem como irregularidades na profundidade."Em obras de engenharia, fazemos três ou quatro sondagens. Aqui, foram necessárias 42", explica Souza. Nelas, descobriu-se que, em questão de meio metro, entre dois pontos, a profundidade variava entre 15 e 35 metros. Como as 40 estacas de concreto armado, para sustentação dos pilares, pesando dezenas de toneladas cada uma, tinham de ter o mesmo tamanho, tiveram de ser feitas sob medida. Montá-las é operação complicada: com barcas, equipadas com guindastes pesados, que passam o dia indo e vindo de um porto construído na represa. Cerca de 400 engenheiros, além de 6 mil funcionários, trabalham na obra. Os gerentes, que fiscalizam prazos e contratos, sobrevoam semanalmente o trecho.

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