Trem-bala começa a sair do papel

Lula quer que trecho Rio-SP funcione no sistema de concessão à iniciativa privada; linha terá 412 km

Eduardo Reina e Leonardo Goy, O Estadao de S.Paulo

15 de novembro de 2007 | 00h00

Por decreto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incluiu no Programa Nacional de Desestatização (PND) o projeto do trem-bala entre São Paulo e Rio. Na semana passada, o Conselho Nacional de Desestatização (CND) já havia recomendado a inclusão da linha no PND. O decreto presidencial publicado ontem no Diário Oficial confirma que o projeto do trem-bala será tocado com a participação da iniciativa privada. Por se tratar de uma concessão de serviço público - transporte ferroviário -, é preciso passar pelo crivo do Conselho.O governo quer que a iniciativa privada seja responsável pela construção e pela operação da linha, que terá cerca de 420 quilômetros. Estimativas iniciais dão conta de que a obra exigirá investimentos da ordem de R$ 16 bilhões. O Ministério dos Transportes vai acompanhar e executar o processo de concessão do trem-bala à iniciativa privada. Ainda não há prazo para lançamento do edital. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi designado para apoiar e coordenar os estudos técnicos necessários para elaborar a licitação do empreendimento. Para o presidente da Agência de Desenvolvimento de Trens Rápidos entre Municípios (AD-Trem), Guilherme Quintella, a participação do BNDES deve acelerar o processo de concessão e a construção da via expressa entre as duas capitais. A AD-Trem viabilizará a participação de especialistas internacionais em ferrovias no estudo e na modelagem da concessão. "Esses especialistas, ligados a entidades internacionais, poderão dar suporte no estudo e na elaboração do modelo de concessão que o BNDES estará fazendo", disse Quintella.A decisão de incluir a construção do trem-bala no Programa Nacional de Desestatização é comemorada no meio empresarial. A concessão é vista como único jeito de se fazer investimentos na infra-estrutura do País. "É a forma de se levar dinheiro para investimentos, já que o governo está exaurido de verbas. Desse modo se tem todas as condições de acelerar a conclusão da obra", disse Gerson Almada, vice-presidente da Engevix, empresa que atua no setor de infra-estrutura.O projeto inicial do trem-bala prevê uma composição que possa alcançar até 300 km/h, que fará o trajeto entre as duas maiores metrópoles do Brasil em uma hora e meia. Ainda não há definição se o percurso será feito sem paradas. Mas as diretrizes de traçado já propostas, além de atender São Paulo e Rio, previam também a instalação de estações intermediárias em importantes pólos regionais, incluindo São José dos Campos, Taubaté e Jundiaí, em solo paulista, e Resende e Volta Redonda, no Rio.O projeto aponta para partidas a cada 15 minutos. Um terminal ficaria na Estação Central do Brasil, no Rio; o outro, na Estação da Luz, na capital de São Paulo. O estudo admite ainda interconexão com o Expresso Aeroporto de Guarulhos. Há previsão de quatro plataformas exclusivas na Central do Brasil, além da construção de uma nova estação subterrânea na Luz, ao lado da atual.O percurso todo teria cerca de 105 quilômetros em viadutos e pontes, outros 132 quilômetros dentro de túneis e mais 166 quilômetros em linha na superfície. A expectativa é de que as obras possam ser concluídas em sete anos e o trem esteja em operação já no primeiro semestre de 2014, ano da Copa do Mundo do Brasil. Projeções sobre a movimentação da linha mostram o potencial de passageiros a serem transportados anualmente: cerca de 30 milhões. A tarifa inicial estaria estipulada em R$ 120.

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