Trem-bala vai cruzar área da UFRJ

Reitor critica projeto por violar autonomia; traçado vai atravancar construção de prédios na Ilha do Fundão

Felipe Werneck, O Estadao de S.Paulo

15 Agosto 2009 | 00h00

O reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Aloísio Teixeira, ficou surpreso ao descobrir, no site da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), que o traçado previsto do Trem de Alta Velocidade (TAV) projetado para ligar Rio, São Paulo e Campinas corta a Cidade Universitária, na Ilha do Fundão, zona norte do Rio. Na quinta-feira passada, ele levou a questão ao Conselho Universitário, que aprovou moção de repúdio contra os procedimentos da ANTT. O prazo da consulta pública aberta pela agência para divulgar a documentação e colher sugestões sobre o projeto (24 de julho a 17 de agosto) foi considerado "irrisório". A UFRJ também criticou a "ausência de informação qualificada" e manifestou "oposição à utilização da Cidade Universitária, que não foi sequer consultada, como via de passagem para o trem de alta velocidade". Ontem, Teixeira disse ao Estado que o projeto impediria a universidade de concluir a expansão prevista em seu Plano Diretor. A UFRJ pretende dobrar o total de alunos na graduação (hoje são 35 mil) e na pós (10 mil) até 2020. Para isso, seriam construídos salas de aula, refeitórios e alojamentos em terrenos da ilha que seriam atravessados pelo trem. O Plano Diretor integra o Plano de Reestruturação e Expansão da UFRJ, homologado pelo Ministério da Educação - o documento estabelece "garantia da integridade e inalienabilidade do patrimônio fundiário" da universidade. "Do jeito que está lá, seria impossível aplicar o plano", disse o reitor. "Não estamos discutindo se o projeto do TAV é bom ou ruim. O assunto é polêmico; o projeto colide com o desenvolvimento da UFRJ." Professor do Instituto de Economia, ele afirmou estranhar não ter sido chamado para dar sua opinião. "É uma coisa estranha. Deveríamos ter sido os primeiros." Teixeira disse que desautoriza qualquer intervenção à sua revelia. Ele também defendeu a ampliação dos prazos de discussão pública. O reitor disse que pretende se reunir na próxima semana com o diretor-geral da ANTT, Bernardo Figueiredo. PRAZOS O governo federal pretende lançar o edital para concessão do TAV até meados de setembro. Pelas projeções, as obras seriam iniciadas no segundo semestre de 2010. O cronograma foi apresentado em 17 de julho por Figueiredo e pelo secretário executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. A consulta pública - que termina às 18 horas de segunda - é o primeiro passo do processo de licitação. O objetivo seria permitir "apreciação e manifestação pública". No site www.tavbrasil.gov.br estão disponíveis os estudos de demanda, traçado, operação e custos do projeto. Está lá o estudo que prevê um corte na Ilha do Fundão - o trem passaria atrás do Centro de Letras e Artes. O custo total do TAV é de R$ 34,6 bilhões e o governo estima que as obras seriam concluídas até meados de 2014, ano da Copa no País. "O traçado brasileiro difere de todas as linhas de trens rápidos do mundo, com projeções de 90,9 km em túneis e com as dificuldades de relevo, como na transposição da Serra das Araras, com uma rampa de 450 m de altura", informa a ANTT. Segundo Bernardo Figueiredo, a empresa responsável pelo estudo informou ter considerado o projeto de expansão da UFRJ. "O traçado é só uma referência. Haverá ajustes. O fato de interferir no câmpus reforça a necessidade de uma solução com túneis no Rio", disse. "O reitor me procurou. Vamos nos encontrar na quarta-feira. Esse problema não vai existir."

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