Tremembé virou ''relíquia'' e Vila Formosa superou o Tatuapé

Área na zona norte é atraente pela proximidade com a Serra da Cantareira, e a da zona leste, por ser vizinha de um bairro valorizado

Adriana Carranca e Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 00h00

Conforme o carro avança na Avenida Nova Cantareira, zona norte, o ar puro e um friozinho ameno melhoram o astral de qualquer paulistano que passou o dia dentro de um escritório ou enfrentou horas de congestionamento na região central. O céu, com a serra de fundo, também é visivelmente mais limpo e azul, em uma paisagem incomum no dia-a-dia da cidade. No entorno do Horto Florestal, bandos de sabiás e canários-da-terra sobrevoam a mata que cerca condomínios verticais em construção.O verde da Serra da Cantareira é o principal atrativo que fez do Tremembé o segundo bairro mais valorizado de São Paulo nos últimos dez anos. "Antes, mudar para o fundo da zona norte era sinônimo de morar no meio do mato, sem comércio, longe da cidade. Agora, com o colapso da poluição nos bairros mais centrais, o Tremembé virou uma relíquia preservada", aponta o corretor de imóveis Lúcio Canno, de 54 anos. Hoje, tanto no entorno do Horto como nas encostas da serra é nítido o avanço de condomínios verticais e horizontais.À MODA ANTIGANa Vila Formosa, o terceiro bairro mais valorizado de São Paulo, espigões de até 20 andares pincelam a paisagem onde pequenas casas, uma grudada à outra, ainda predominam. Com o adensamento e a valorização do vizinho Tatuapé, as incorporadoras avançam sobre o bairro, que ainda tem vizinhos jogando conversa fora, sentados na porta de casa, barbeiro à moda antiga, pequenas mercearias, ruas estreitas e muitas praças, onde as crianças passam boa parte das férias."As pequenas construtoras do bairro foram esmagadas pelas grandes incorporadoras. Os corretores estão comprando casa a casa. Pagam valores que as pequenas não podem oferecer", diz o advogado, jornalista e construtor Silvio Carlos Machado, há 45 anos no bairro. Há 29 anos, ele publica o jornal Gazeta de Vila Formosa, com tiragem de 10 mil exemplares. É presidente da Sociedade Amigos de Vila Formosa, fundada em 1953, está concluindo a construção do quinto prédio no bairro, com oito andares e apartamentos de 154 metros quadrados, e planeja erguer um portal, na frente da Universidade Cruzeiro do Sul, com os dizeres "Aqui começa a Vila Formosa". "Para eles (mercado imobiliário), tudo é Tatuapé. Mas, na escritura, é Vi-la-For-mo-sa", esbraveja. Na avenida principal do bairro, a Dr. Eduardo Cotching, o metro quadrado do terreno chega a R$ 3 mil - há cinco anos, não passava de R$ 1,2 mil. Nas ruas paralelas e transversais, a valorização foi ainda maior: o metro quadrado do terreno saltou de R$ 600 para R$ 3 mil. Onde o potencial construtivo é maior, chega-se a R$ 4 mil. Esse também é o atual valor do metro quadrado construído nos prédios que surgem no bairro. "Todas essas casinhas que você vê estão fadadas a virar pó", sentencia Machado.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.