Tremor de 5,2 graus no litoral de São Paulo atinge 5 Estados

Epicentro do maior abalo sísmico já registrado no Estado foi a 218 km de São Vicente; RJ, MG, PR e SC sentiram

O Estadao de S.Paulo

23 de abril de 2008 | 00h00

Um tremor de 5,2 graus na escala Richter (que vai até 9), com epicentro no Oceano Atlântico, a 218 quilômetros de São Vicente e a 270 quilômetros de São Paulo, teve reflexos em dezenas de cidades paulistas e em pelo menos quatro outros Estados - Minas, Rio, Paraná e Santa Catarina. Foi o maior sismo já registrado no Estado de São Paulo. De acordo com o geólogo Cristiano Chimpliganond, do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), foi um terremoto de "magnitude considerável" que, se tivesse o epicentro no continente, poderia ter provocado danos graves. Ele lembrou que no dia 9 de dezembro, um tremor de magnitude menor (4,9 graus) provocou desabamento de casas e a morte de uma criança no norte de Minas. Não houve registro de pessoas feridas. Mais informações O terremoto começou às 21 horas e durou cerca de 5 segundos. O epicentro do tremor estava a 10 quilômetros de profundidade. Medições feitas no observatório sismológico de Brasília mostram que, nos últimos dez anos, mais de 5 mil abalos foram registrados no País, sendo 400 deles com magnitude igual ou superior a 3 graus na escala Richter. O maior terremoto anterior em São Paulo atingiu 5,1 graus na escala Richter, em 27 de janeiro de 1922, na cidade de Mogi-Guaçu. O terremoto mais forte registrado no País atingiu 6,2 graus na escala Richter - o evento ocorreu em 1955 em Porto dos Gaúchos (MT).O tremor foi registrado em um região incomum, onde não há falhas geológicas ou bordas de placas tectônicas que poderiam ter provocado o abalo. Segundo o geofísico Rafael Abreu, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), nunca houve um terremoto registrado num raio de 500 quilômetros do epicentro - pelo menos desde 1973, quando o serviço americano começou a catalogar esse tipo de evento ao redor do mundo. "Quando vi o registro não acreditei", comentou Abreu ao Estado, em entrevista por telefone do Centro Nacional de Informações sobre Terremotos do USGS, no Colorado (EUA). SÃO PAULOSegundo o comando da Polícia Militar, até as 22h05 não havia informações sobre vítimas em São Paulo. O Corpo de Bombeiros despachou dois carros para fazer uma vistoria técnica no Hospital Estadual Vila Alpina, zona leste. Uma rachadura de 1 metro surgiu, às 21h10, na sala onde funciona a central de reserva de leitos.O garoto Flavio Vitor, de 5 anos, acordou assustado e pediu para a babá Ana Ribeiro Santos parar de balançar a cama. "Peguei ele no colo e desci correndo", contou. Assustado, Flavio ainda chorava no colo da babá meia hora após o ocorrido. No prédio de 15 andares do número 1.884 da Rua Caiovás, em Perdizes (zona oeste), todos os moradores que estavam em casa foram para a rua e só começaram a retornar cerca de 20 minutos depois. A advogada Elza Segurado, moradora do 7º andar no prédio há dez anos, conta que assistia à TV deitada na cama quando sentiu a cama se mover e viu o ventilador de teto balançar. Mas também não teve dúvidas. "Desci de pijamas e descalça, sem entender direito o que estava ocorrendo."André Carrero Kohan, de 8 anos, mora no 12º andar e estava brincando quando "sentiu tudo tremendo", conta ele. "?Deu uma sensação de tontura, mas que demorava a passar", comparou a funcionária pública Gabriela Amorin, moradora do 11º andar há dez anos.OUTRAS CIDADESO tremor foi sentido em cidades do Vale do Paraíba e do litoral norte de São Paulo. No Rio, o tremor foi sentido por moradores de bairros da zona norte e oeste, além do município de Angra dos Reis. Segundo os bombeiros, dezenas de pessoas ligaram de Jacarepaguá (zona oeste), Penha, Ilha do Governador e Brás de Pina (bairros da zona norte) informando terem sentido a terra tremer por cerca de 2 segundos. MARCELO GODOY, RODRIGO BRANCATELLI, HERTON ESCOBAR, BRUNO TAVARES, RODRIGO PEREIRA, WILLIAM GLAUBER, CLEIDE SILVA, ODAIL FIGUEIREDO, EDUARDO REINA, ZULEIDE DE BARROS, ROSE MARY DE SOUZA, ELISANGELA ROXO e KARINA TOLEDOU

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