Tremor de terra assustou moradores na madrugada

Eles ouviram um ?estrondo? e viram portas e janelas tremerem; terremoto foi sentido em toda a cidade

Eduardo Reina e Mônica Aquino, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2007 | 00h00

Acostumado com uma vida pacata, os 17.455 habitantes de Itacarambi, no norte de Minas, passaram a madrugada de ontem assustados com o terremoto, que foi sentido em toda a cidade. Não se comentava outra coisa durante o dia seguinte. "Teve um estrondo que parecia debaixo da terra. É como se um caminhão pesado passasse na rua. Mas abalou a casa. Mexeu a cama, a janela, a porta", contou a auxiliar de serviços gerais Jucimara Pereira da Silva, de 34 anos. "Foi num piscar de olhos. Começou e terminou muito rápido. Mas depois a luz ainda ficava piscando sem parar", complementou Nozídia da Costa Seixas, de 24 anos.A moradora falou que a noite estava agradável e as pessoas, como de costume, conversavam na porta das casas quando foi ouvido um estrondo forte, pouco depois da meia-noite. "De repente tremeu janela, porta, parede. Todo mundo que estava dormindo levantou chorando. Ficamos com medo", afirmou a moradora.Cidade turística por conta de suas grutas e construções históricas à margem do Rio São Francisco, Itacarambi tem 3.671 edificações - 1.131 na zona rural. A economia é baseada na agricultura, indústria de alimentos e turismo. Itacarambi, em Tupi-Guarani quer dizer "pedra de duas caras" ou "lugar cheio de pedregulho".Ontem, na Praça da Matriz, o principal comentário era o terremoto. "O tremor começou um pouco mais de meia-noite. Depois o pessoal saiu para a rua para ver o que estava acontecendo. Foi um alvoroço", disse Edivan Dias.A real dimensão do ocorrido, com a morte da menina Gesiane, só foi percebida por volta do meia dia de ontem. "A gente viu pela internet. Algumas pessoas que tinham parentes em Vargem Grande (cidade vizinha) contaram", disse Jucimara.Outra moradora de Itacarambi, Eliane Ferreira Freire, de 31 anos, estava em casa com a mãe quando ambas sentiram o terremoto. "Quando estávamos começando a dormir, sentimos o tremor e minha mãe se assustou, começou a gritar", disse Eliane. Segundo ela, toda a vizinhança assustou-se com o barulho causado pelas portas, janelas e telhas das casas que tremeram. "Foi um estrondo, como se fosse um barulho de trovão, achei até que fosse uma batida na rua", relata Eliane, que estava em casa com a mãe, Maria Freire, de 62 anos.Os tremores na região de Itacarambi estão sento registrados há sete meses, de acordo com o vereador Sebastião Alves dos Santos (PT). "Desde maio vêm ocorrendo. Em 10 de outubro houve um tremor mais forte e a comunidade ficou aterrorizada", disse. Segundo ele, técnicos do Departamento de Sismologia da Universidade de Brasília (UnB) estiveram na cidade e espalharam sismógrafos durante a visita de três dias. "Agora esse (terremoto)foi de arrancar os cabelos." DEPOIMENTOSJoão Nunes da MotaLavrador de 59 anos"Foi um barulho que não tem filho de Deus que não ouviu. Nós morremos e vivemos de novo. Teve casa que acabou inteiramente. A gente achava que não ia encontrar ninguém vivo"Jucimara Pereira da SilvaMoradora de 34 anos"Teve um estrondo que parecia debaixo da terra. É como se um caminhão pesado passasse na rua. Mas abalou a casa. Mexeu a cama, a janela a porta"Nozídia da Costa SeixasMoradora de 24 anos"Foi num piscar de olhos. Começou e terminou muito rápido. Mas depois a luz ainda ficava piscando sem parar"Eliane Ferreira FreireMoradora de 31 anos"Foi um estrondo, como se fosse um barulho de trovão"Gleison do NascimentoCabo da Polícia Militar"Só não morreu mais gente lá porque muitos estavam em uma festa em Vargem Grande"

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