Três baleados em rebelião com fuga na Febem de Franco da Rocha

Três internos da unidade 30 da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) de Franco da Rocha acabaram feridos a tiros durante uma rebelião com fuga, ocorrida na madrugada desta segunda-feira. Os projéteis teriam partido de uma pistola calibre 380 encontrada do lado de fora do complexo.É a segunda vez em menos de uma semana que uma arma de fogo é utilizada durante motim. A primeira denúncia, registrada no dia 13, refere-se à unidade 21, no mesmo município, e causou o afastamento do agente Cledimar Soares de Oliveira, suspeito de haver facilitado a entrada do armamento, que foi visto por testemunhas, mas não foi encontrado.Os jovens da unidade 30 foram atingidos sem gravidade nas mãos e nas pernas e acabaram sendo liberados depois de passarem pelo Hospital de Franco da Rocha. Outros dois internos tiveram escoriações ao pular o muro da Febem.Um funcionário sofreu intoxicação ao respirar a fumaça de um dos focos de incêndio provocados pelos adolescentes. Outros cinco foram agredidos a pauladas, pedradas e estiletadas. Um deles teve traumatismo craniano e continua em estado grave no Hospital do Mandaqui, zona norte da capital.O motim é o 14º do ano, numa média de mais de um tumulto a cada três dias. Tudo começou por volta das 23h30, quando um grupo de menores tentou invadir a unidade 31, que fica ao lado. Segundo a assessoria de imprensa da Febem, os rebelados estariam dispostos a atacar os internos do "seguro", acusados de crimes que ferem o código de ética do grupo e, por isso, são jurados de morte pelos próprios colegas.Ao serem contidos por funcionários, os menores passaram a destruir a unidade, colocando fogo em móveis, colchões e roupas. Durante a confusão, 20 adolescentes conseguiram fugir, mas 6 deles acabaram sendo recapturados. O motim só foi controlado por volta das 3 horas, com a entrada da Tropa de Choque da Polícia Militar na unidade, que apreendeu a pistola calibre 380 na revista.De acordo com a assessoria da Secretaria de Segurança Pública, os policiais utilizaram apenas balas de borracha e não são os responsáveis pelos ferimentos com arma de fogo sofridos pelos internos. Segundo o delegado Fábio Lopes Cenache, da Delegacia de Franco da Rocha, o mais provável é que os tiros tenham sido disparados pelos próprios rebelados.Quinze deles foram identificados e, como são maiores de idade, serão indiciados por formação de quadrilha, tentativa de homicídio e porte de arma. "Eles foram reconhecidos por quase 20 funcionários", afirma Cenache.A unidade 30 da Febem abriga reincidentes de alta periculosidade. Como alguns chegam ao local perto de completar 18 anos, é comum permanecerem na unidade até os 21 anos. Para o promotor do Ministério Público Estadual (MPE) Ebenézer Salgado Soares, que investiga denúncias de tortura na Febem, a rebelião desta segunda é uma prova de que o complexo deve ser desativado o mais rapidamente possível."Não é admissível que uma arma de fogo entre na unidade. Esse é um modelo falido desde o nascimento." Segundo a assessoria da Febem, as unidades 30 e 31 devem estar desativadas até o fim do ano.Já o presidente do Sindicato dos Funcionários da Febem, Antonio Gilberto da Silva, culpa o MPE pelos constantes motins. "Eles acreditam em tudo que os internos contam e não dão atenção aos funcionários. Toda vez que os promotores deixam a Febem, os adolescentes passam a nos desafiar."Silva afirma ainda que a interferência dos promotores para trazer de volta à Febem os internos Weberson de Paula Lima, irmão do seqüestrador Andinho, e Ednaldo José de Araujo, o Baianinho, que haviam sido transferidos para o sistema prisional, complicou ainda mais a situação. "Eles lideram a maioria das rebeliões."

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