Três homens coordenaram resgate de vítimas na cratera

A cratera do Metrô em Pinheiros não será um caso a ser estudado apenas por engenheiros civis. Uma das mais arriscadas da história recente do Corpo de Bombeiros de São Paulo, a operação de resgate das vítimas, que durou 150 horas, reuniu figuras experientes em situações de crise, que inovaram no quesito liderança.Comandante da Defesa Civil de São Paulo há dois anos e por muito tempo comandante-geral do Corpo de Bombeiros, o coronel Jair Paca de Lima, de 58 anos, é talvez o mais experiente do trio que coordenou a operação, formado ainda pelo engenheiro Márcio Pellegrini, de 51 anos, do Consórcio Via Amarela, e pelo coronel João dos Santos Souza, de 52 anos, comandante metropolitano dos Bombeiros.Paca estreou na carreira de bombeiro no resgate às vítimas do incêndio do Edifício Andraus, na Praça Júlio de Mesquita, centro da capital, há 35 anos, quando 16 pessoas morreram e 336 ficaram feridas. E coordenou pessoalmente a operação de resgate no desabamento do Osasco Plaza Shopping, na grande São Paulo, e do desastre aéreo da TAM, na capital, ambos em 1996.Enquanto Paca e sua equipe determinaram a interdição das casas nas imediações e atenderam as famílias desabrigadas pelo acidente, Santos Souza e cerca de 230 bombeiros trabalharam no buraco pela superfície e pelo túnel, sem parar. Ambos tiveram de se entender com Pellegrini, que disponibilizou equipamentos, incluindo 100 caminhões para retirar terra, além de uma equipe especializada para monitorar riscos de deslizamentos.Pellegrini é formado em Engenharia Civil e de Segurança, mas trabalha longe das obras. É um executivo, diretor de contratos da Odebrecht, uma das quatro empresas que formam o consórcio. Assistia pela TV as primeiras notícias sobre o acidente em Pinheiros, imaginando ter sido corriqueiro."Quando soube da possibilidade de vítimas, ou seja, da extensão, liguei para o meu diretor e me ofereci voluntariamente para trabalhar no local. Ele não me respondeu na hora. Acho que estavam escolhendo quem seria melhor para estar aqui. Horas depois, ele me ligou dizendo que era eu", recorda-se.Segundo Paca, a equipe do Via Amarela não demorou a tomar ciência da situação. "Toda emergência evolui. Primeiro, há muita gente perguntando e nenhuma resposta. Depois, as coisas vão indo para o seu lugar."Acostumado com a resistência da sua equipe, Santos Souza, dos Bombeiros, afirma ter se surpreendido com a disposição física dos operários do consórcio. "Tinha gente que não ia embora."Os três dizem ter formado uma equipe eficiente. "No primeiro contato com o comando dos Bombeiros percebi que se tratavam de pessoas justas e perfeitas", diz Pellegrini, que reconhece, porém, ter tido problemas, inicialmente, em administrar forças que vinham além da cratera, como os familiares das vítimas e os membros do gabinete do governador José Serra (PSDB), que avaliavam passo a passo decisões, além do batalhão de jornalistas que cercava o buraco. "Mas os trabalhos se desenvolveram com sinergia."

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