Três integrantes do PCC são mortos em Sorocaba

Três presos que se declararam integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) foram mortos a golpes de facas e estiletes no início da noite de ontem, na Penitenciária Estadual Antônio de Souza Neto, em Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo. Segundo a polícia, eles foram atacados por um grupo de presos do Comando Revolucionário Democrático Brasileiro (CRDB), que tem a hegemonia no presídio. Também participaram da chacina presos ligados ao Comando Democrático da Liberdade (CDL). As duas facções são inimigas do PCC. O clima permaneceu tenso hoje no presídio. A polícia e os familiares dos presos temiam por represálias do PCC. Havia o risco de uma rebelião. O juiz-corregedor de Sorocaba, Eduardo Marcondes Machado, reuniu-se à tarde com a administração da penitenciária.Os mortos, André Luiz Takara, de 20 anos, Milton Francisco Santana, de 39, e Michel Dalapria, de 19, tinham sido presos na tarde de sábado, quando se preparavam para resgatar o condenado Carlos Aparecido Pacheco, o "Caó", de 37 anos, que se achava internado no Hospital Regional de Sorocaba. Eles estavam na cela do "seguro" do presídio, reservada para presos jurados de morte. Outro integrante do bando, R.F.S., de 17 anos, também detido na tentativa de resgate, não foi levado à penitenciária por ser menor. O ataque ocorreu após o encerramento do horário de visitas e a saída dos familiares dos detentos. Antes de invadir a cela, o grupo tomou dois agentes de segurança como reféns. Eles só foram soltos depois que o massacre se consumou. Os presos pretendiam matar também o "Caó", que fora transferido do hospital para a enfermaria do presídio. Ele é apontado como uma espécie de tesoureiro do PCC, por isso era o mais visado pelos presos das facções contrárias.A polícia investiga seu possível envolvimento no seqüestro do empresário Roberto Benito Júnior, de Salto, libertado dia 30 de janeiro, após o pagamento do resgate de US$ 1 milhão. Seguranças impediram que a enfermaria fosse invadida, disparando para o alto. Por medida de segurança, "Caó" foi transferido para outra unidade. Policiais militares dominaram o início de rebelião. Na revista, foram apreendidas armas fabricadas pelos presos, como facas e estiletes. No ano passado, a penitenciária foi uma das poucas unidades prisionais do Estado que não aderiram à mega-rebelião liderada pelo PCC.

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