SEF/Divulgação
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Três pastores brasileiros são presos em Portugal acusados de tráfico de pessoas

Cerca de 30 brasileiros que viviam em condições precárias foram resgatados; igreja e identidade dos religiosos não foram divulgadas

Felipe Cordeiro, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2020 | 13h18
Atualizado 13 de janeiro de 2020 | 06h07

SÃO PAULO - Três pastores evangélicos brasileiros foram presos nesta quinta-feira, 9, em operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal, na cidade da Amadora, na Grande Lisboa. Eles são suspeitos de tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal. Cerca de 30 brasileiros - entre eles, crianças - foram resgatados na ação. 

Segundo o órgão, as vítimas eram mantidas em “condições muito precárias” e a maioria estaria em situação migratória irregular. O grupo teria saído do Brasil após ser aliciado pela organização religiosa, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades portuguesas.

Também não foi informada a identificação dos pastores detidos - dois homens e uma mulher. Eles foram apresentados nesta sexta-feira, 10, à Justiça de Portugal para prestar depoimento e passar por interrogatório.

Além das prisões, o SEF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão. Ao todo, 55 agentes participaram da operação.

A investigação começou há cerca de três meses após o SEF receber uma denúncia. De acordo com o órgão, a apuração segue em andamento.

Exploração

Em nota, o SEF afirma que os brasileiros eram mantidos em condições precárias de alojamento e também realizavam trabalhos irregulares. “Os cidadãos estrangeiros, entre os quais crianças, eram sujeitos ao pagamento de quantias de dinheiro para a organização religiosa”, diz.

O Estado teve acesso a fotos feitas por agentes do órgão no local. As imagens mostram cômodos pequenos e separados por placas - o que indica que os moradores não tinham privacidade. Também se vê infiltrações e instalações elétricas aparentemente inseguras.

Segundo o jornal português Público, o alojamento ficaria em um armazém, com banheiros comunitários e refeitório. Lá, também aconteciam os cultos.

Para convencer os imigrantes a saírem do Brasil, os pastores prometiam trabalho e regularização em Portugal, o que não acontecia, diz a publicação. “Havia ali claramente indícios de exploração”, declarou Gonçalo Rodrigues, diretor central de investigação do SEF, em entrevista ao jornal português.

Ainda segundo Rodrigues, o salário recebido pelas vítimas supostamente “regressava à igreja”. O valor pago, diz o diretor, poderia chegar até a 300 euros (cerca de R$ 1.366).

Em 2018, dado mais recente, Portugal registrou 59 vítimas de tráfico de pessoas, segundo relatório do SEF. Procurado, o Itamaraty disse que não acompanha a ocorrência. “O Ministério das Relações Exteriores e o Consulado do Brasil em Lisboa não foram comunicados pelas autoridades portuguesas sobre o caso nem receberam qualquer pedido de assistência consular de eventuais brasileiros envolvidos ou seus familiares.”

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