Três pastores brasileiros são presos em Portugal acusados de tráfico de pessoas

Cerca de 30 brasileiros que viviam em condições precárias foram resgatados; igreja e identidade dos religiosos não foram divulgadas

Felipe Cordeiro - O Estado de S.Paulo

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SÃO PAULO - Três pastores evangélicos brasileiros foram presos nesta quinta-feira, 9, em operação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) de Portugal, na cidade da Amadora, na Grande Lisboa. Eles são suspeitos de tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal. Cerca de 30 brasileiros - entre eles, crianças - foram resgatados na ação. 

O SEF não divulgou o nome dos detidos Foto: SEF/Divulgação

Segundo o órgão, as vítimas eram mantidas em “condições muito precárias” e a maioria estaria em situação migratória irregular. O grupo teria saído do Brasil após ser aliciado pela organização religiosa, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades portuguesas.

Também não foi informada a identificação dos pastores detidos - dois homens e uma mulher. Eles foram apresentados nesta sexta-feira, 10, à Justiça de Portugal para prestar depoimento e passar por interrogatório.

Além das prisões, o SEF cumpriu cinco mandados de busca e apreensão. Ao todo, 55 agentes participaram da operação.

A investigação começou há cerca de três meses após o SEF receber uma denúncia. De acordo com o órgão, a apuração segue em andamento.

Exploração

Em nota, o SEF afirma que os brasileiros eram mantidos em condições precárias de alojamento e também realizavam trabalhos irregulares. “Os cidadãos estrangeiros, entre os quais crianças, eram sujeitos ao pagamento de quantias de dinheiro para a organização religiosa”, diz.

O Estado teve acesso a fotos feitas por agentes do órgão no local. As imagens mostram cômodos pequenos e separados por placas - o que indica que os moradores não tinham privacidade. Também se vê infiltrações e instalações elétricas aparentemente inseguras.

Segundo o jornal português Público, o alojamento ficaria em um armazém, com banheiros comunitários e refeitório. Lá, também aconteciam os cultos.

Para convencer os imigrantes a saírem do Brasil, os pastores prometiam trabalho e regularização em Portugal, o que não acontecia, diz a publicação. “Havia ali claramente indícios de exploração”, declarou Gonçalo Rodrigues, diretor central de investigação do SEF, em entrevista ao jornal português.

Brasileiros resgatados em Portugal da igreja evangélica Assembleia de Deus de Amadora

1 | 11 Cerca de 30 brasileiros eram mantidos ilegalmente em 'condições precárias', segundo o SEF de Portugal Foto: SEF/Divulgação
2 | 11 O alojamento clandestino fica na cidade de Amadora, na Grande Lisboa Foto: SEF/Divulgação
3 | 11 Os brasileiros seriam obrigados a pagar a uma organização religiosa responsável por manter o local Foto: SEF/Divulgação
4 | 11 O órgão português conseguiu encontrar o alojamento após três meses de investigação Foto: SEF/Divulgação
5 | 11 Três pastores foram detidos acusados de aliciar e manter as pessoas em situação precária Foto: SEF/Divulgação
6 | 11 Os acusados foram apresentados à Justiça de Portugal no dia 10 de janeiro Foto: SEF/Divulgação
7 | 11 O SEF não divulgou o nome dos detidos Foto: SEF/Divulgação
8 | 11 As famílias que a reportagem encontrou estavam sem autorização de residência ou visto de trabalho; todas, contudo, estão com processos de regularização em andamento Foto: Luciana Alvarez/Estadão
9 | 11 Todas as famílias têm a chave de seus quartos, podem entrar e sair na hora que desejam e dizem estar na igreja por considerarem a melhor opção  Foto: Luciana Alvarez/Estadão
10 | 11 O templo da Assembleia de Deus de Amadora, na Grande Lisboa, localiza-se em uma região industrial Foto: Luciana Alvarez/Estadão
11 | 11 Os fiéis que vivem na Assembleia de Deus de Amadora temem a exposição, pois o caso teve grande repercussão em Portugal Foto: Luciana Alvarez/Estadão

Ainda segundo Rodrigues, o salário recebido pelas vítimas supostamente “regressava à igreja”. O valor pago, diz o diretor, poderia chegar até a 300 euros (cerca de R$ 1.366).

Em 2018, dado mais recente, Portugal registrou 59 vítimas de tráfico de pessoas, segundo relatório do SEF. Procurado, o Itamaraty disse que não acompanha a ocorrência. “O Ministério das Relações Exteriores e o Consulado do Brasil em Lisboa não foram comunicados pelas autoridades portuguesas sobre o caso nem receberam qualquer pedido de assistência consular de eventuais brasileiros envolvidos ou seus familiares.”

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