XANDO PEREIRA/AGÊNCIA ATARDE
XANDO PEREIRA/AGÊNCIA ATARDE

Três são indiciados por naufrágio de barco que matou 19 na Bahia

Proprietário da embarcação, comandante da viagem e engenheiro naval devem responder por homicídio culposo

Heliana Frazão, especial para o Estado

12 Abril 2018 | 17h29

SALVADOR - Oito meses após o acidente que deixou 19 mortos e 74 feridos, a Polícia Civil da Bahia anunciou nesta quinta-feira, 12, o indiciamento de três pessoas, apontadas como responsáveis pelo naufrágio da embarcação Cavalo Marinho, em agosto, na Baía de Todos os Santos.

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Os três indiciados são o proprietário da CL Transporte Marítimo, dono do barco, Livio Garcia Galvão; o comandante da lancha, Osvaldo Coelho Barreto, e o engenheiro naval Henrique José Caribé. Eles foram indiciados por homicídio culposo (quando não há a intenção de matar) e lesão corporal culposa. 

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Nas investigações, foram ouvidas 135 pessoas. A polícia incluiu no inquérito os laudos do Departamento de Polícia Técnica (DPT), da Marinha, dados de meteorologia e o relatório dos auditores do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). 

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A lancha deixou o Terminal de Mar Grande às 6h30, com tempo aparentemente bom. Mas 10 minutos após a partida começou a chover, o que a polícia considerou determinante para o acidente.

"O comandante deveria ter avaliado melhor as condições climatológicas e retornado para o porto, evitando o naufrágio", afirmou o delegado Ricardo Amorim, titular da 24ª Delegacia Territorial, em Vera Cruz, que presidiu o inquérito.

A responsabilização da CL Transportes se deu por ter realizado mudanças no peso do lastro da embarcação, "não informadas à Marinha", contribuindo para que o barco pendesse mais para um lado.

Já o engenheiro foi indiciado por ter atestado que o barco estava apto a navegar.

Tanto a Marinha quanto a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) foram isentas de responsabilidades. 

O inquérito seguiu para o Fórum da Comarca de Itaparica, onde será analisado por um promotor, que decidirá se os acusados serão denunciados.

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