TRF proíbe juiz de conduzir processos contra ex-bicheiro

O juiz federal Julier Sebastião da Silva, da 1ª Vara Federal de Mato Grosso, não poderá, a partir desta quinta-feira, conduzir nenhum processo em que figura como réu o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, de 57 anos, conhecido em Mato Grosso como o ´Comendador Arcanjo´. A decisão é do Tribunal Regional Federal (TRF) que acolheu argumentação da defesa do bicheiro, segundo a qual Sebastião da Silva não teria isenção suficiente para julgá-lo. Na mesma sentença, a Justiça optou por manter o bicheiro preso no Presídio Pascoal Ramos, em Cuiabá, ao invés de transferi-lo para Brasília.Transferido para o Brasil em 11 de março deste ano, o ex- bicheiro estava preso no Uruguai desde abril de 2003 por falsificação de documentos. Ele já foi condenado a 49 anos de prisão no Brasil. Na extensa lista de crimes atribuídos ao Comendador Arcanjo, a Justiça quer esclarecer o envolvimento dele em pelo menos oito homicídios só em Mato Grosso. Um dos crimes é o assassinato do jornalista Sávio Brandão, dono do jornal Folha do Estado, morto em 30 de setembro de 2002. Há dezenas de outras acusações contra Arcanjo. Só na Justiça Federal o bicheiro responde a 16 processos por crime organizado, formação de quadrilha, homicídios, lavagem de dinheiro, contrabando e evasão de divisas. Ele é investigado pela CPI dos Bingos e pelo Ministério Público Federal por supostas ligações com o assassino do ex-prefeito de Santo André (SP), Celso Daniel. Foi citado na CPI do Banestado por crime contra o sistema financeiro. A CPI foi encerrada com dois relatórios: um do PT, do relator, deputado José Mentor (SP) e outro do PSDB, do presidente e senador Antero Paes de Barros (MT).

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