Tribunal cassa PM acusado de tortura

Tenente e mais 5 militares teriam matado jovem com choques

Sandro Villar, PRESIDENTE PRUDENTE, O Estadao de S.Paulo

22 de maio de 2009 | 00h00

O tenente da Polícia Militar Roger Marcel Vitiver Soares de Souza, de 32 anos, foi cassado pelo Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, numa decisão unânime. Ele e mais cinco militares são acusados de agredir e matar com choques elétricos o adolescente Carlos Rodrigues Júnior, em Bauru, no interior paulista. O crime ocorreu em dezembro de 2007 e provocou comoção e protestos na cidade. Apesar da cassação, o tenente Souza ainda não perdeu completamente seu vínculo com a Polícia Militar. Ele está inativo e não pode usar farda, segundo fonte do 4º Batalhão da PM em Bauru, onde o tenente serviu por vários anos. Souza passou a receber um terço do salário sem precisar trabalhar, de acordo com a fonte. Com a cassação, o tenente deverá ser expulso. Ele pode recorrer no próprio tribunal que o cassou ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Os outros cinco militares acusados já foram expulsos da corporação. No ano passado, a PM dispensou o cabo Gerson Gonzaga da Silva e os soldados Emerson Ferreira, Juliano Arcângelo Bonini, Maurício Augusto de Lasta e Ricardo Ottaviani. Eles integravam o pelotão comandado pelo tenente Souza, que na noite do dia 15 de dezembro de 2007 invadiu a casa de Júnior na periferia da cidade e achou uma motocicleta roubada.O rapaz, que tinha 15 anos, foi acusado de roubar a moto com outro menor. Como Júnior não confessou o roubo, foi espancado e recebeu choques elétricos em sua própria casa. O Ministério Público denunciou que o menor foi violentamente torturado pelos PMs com socos e pontapés. Por fim, os militares aplicaram choques elétricos e o adolescente não resistiu. De acordo com o MP, a morte foi provocada pelos choques. A Polícia Civil de Bauru apurou que o adolescente morto estava envolvido com o crime. Ele participou de outros sete furtos de motocicletas, segundo um levantamento divulgado no ano passado. A família de Júnior não mora mais no bairro e não foi localizada pela reportagem.

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