Trinta mil vão à Igreja de São Francisco de Assis em São Paulo

A cadela Fofinha, mistura de pequinês e outra raça, cumpriu nesta sexta-feira um roteiro pouco comum para um cachorro: andou de metrô e "desfilou" no fim da missa do meio-dia na Igreja de São Francisco de Assis, no Centro de São Paulo. Com a dona, Yolanda Vieira, de 73 anos, Fofinha foi à igreja para receber as bênçãos no dia de São Francisco. "Ela nunca ficou doente porque é protegida pelo santo", diz Yolanda.Desde que nasceu, há 9 anos, Fofinha passa pelo ritual. Anda de metrô, do Brás até a Sé, numa bolsa de pano florido. Pequena, fica encolhida na bolsa e não late. "É só mostrar a sacola e ela já entra, sabe que vai passear", conta a dona. "Ela só rosna um pouquinho na hora da água benta."Em busca de proteçãoNesta sexta-feira, dia de São Francisco, protetor dos animais e da natureza, o Largo São Francisco, na região central, ficou lotado. Donos de cães, gatos, pássaros e plantas buscavam a bênção dos freis franciscanos. "Não deixo de trazer minhas vira-latas para agradecer e pedir proteção", disse a vendedora Conceição Fonseca, de 50 anos, com Vick, de 5 anos, e Meg, de 2.Antes de receber a bênção do frei Severino Clasen, na Praça do Ouvidor, Meg, que foi encontrada magra e sarnenta, estranhou os cavalos do Regimento 9 de Julho, também abençoados pelo frei. "Eles vão espalhar os bons fluidos para os outros animais no regimento", afirmou.Além das nove missas celebradas nesta sexta, na igreja de estilo barroco construída em 1648, a Paróquia e Santuário São Francisco de Assis encerrou a festa no Convento de São Francisco. "Agora, só no ano que vem", disse o frei.Apesar de as comemorações ocorrerem todos os anos, há apenas dois ocorre o ritual festivo na paróquia. "Estamos muito felizes por receber tanta gente", comentou frei Severino. Segundo ele, 30 mil pessoas visitaram a igreja e estiveram na festa nesta sexta.EmpregoUma das missas mais concorridas, ao meio-dia, chegou a ter 3 mil fiéis. Ajoelhada durante toda a cerimônia, a dona de casa Juvercina Marques da Silva, de 66 anos, pedia, com um terço nas mãos, que a neta Andréia conseguisse um emprego. "A situação está muito difícil", disse. "São Francisco nunca me abandonou, e agora preciso muito dele."Enquanto muitos aproveitaram o horário do almoço para caminhar no Centro ou pagar contas, o assistente de crédito Vicente Correa da Silva, de 20 anos, usou o tempo livre para meditar e agradecer a São Francisco. "Perdi meus pais e só tenho forças para continuar vivendo graças a Deus", contou. "A vida de São Francisco é um espelho para mim, procuro seguir os exemplos dele na minha vida."

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