Trinta sem-terra feridos em confronto com PM

Trinta sem-terra e assentados foram feridos neste domingo à noite em um confronto com policiais militares perto da fazenda Renascença, em Uruana, MG.Cerca de 600 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tentaram invadir a propriedade do embaixador do Brasil na Itália, Paulo de Tarso Flecha de Lima, mas foram impedido pela PM. Dezessete dos 30 feridos com balas de borracha e bombas de efeito moral foram atendidos no hospital de Arinos, a 38 quilômetros do local. A PM montou uma barreira na ponte sobre o rio São Miguel para impedir que o grupo chegue à fazenda do diplomata. O clima é tenso no local.Nesta segunda-feira à tarde, os integrantes do MST decidiram, em assembléia, só deixar o acampamento da ponte do rio São Miguel quando o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Sebastião Azevedo, for ao local para negociar a pauta de reivindicações. "Estamos para o que der e vier", disse o líder do acampamento, Gilmar de Oliveira, que não descarta um novo enfrentamento com a PM caso o Incra não negocie em uma semana. Eles reivindicam crédito para alimentação de R$ 180,00 por mês, durante um ano, R$ 3.500,00 de fomento, R$ 6 mil como crédito de habitação e uma linha de financiamento especial para custeio da produção dos assentamentos. Outro líder do MST, Carlos Santos Alcântara, o Carlão, anunciou que o movimento poderá trazer mais manifestantes para o local na tentativa de forçar o governo a abrir um canal de negociação.Segundo ele, assentados de 17 localidades próximas já estão mobilizados e podem chegar a qualquer momento ao acampamento de Uruana. "Os companheiros estão dispostos a partir para a luta", garantiu Carlão, acrescentando que o clima ficou tenso após o confronto na noite deste domingo."A Polícia Militar preparou uma emboscada para nos pegar", denuncia Gilmar de Oliveira. Segundo o líder do MST, ao chegarem à ponte do Rio São Miguel, um efetivo da PM já estava de prontidão. Ele contou que os sem-terra formaram uma comissão para negociar com os policiais.Sem acordo, eles tentaram cruzar a ponte, e a polícia revidou com bombas de gás lacrimogêneo e tiros com balas de borracha. O comandante da Polícia Militar na região do conflito, tenente-coronel Robson Nogueira, negou que os policiais tenham preparado emboscada para os sem-terra. "O que fizemos foi evitar que eles chegassem até a fazenda para invadir uma área particular", explicou o oficial da polícia mineira.O coronel disse que a PM está mantendo 60 policiais no local com o apoio de 14 viaturas. Nesta segunda-feira, às 17 horas, a PM reforçou seu efetivo com mais 40 policiais.

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