Tripulação da TAM viu focos de luz

Piloto que vinha de Paris avistou o que podem ser destroços do avião

Felipe Werneck e Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

O presidente em exercício, José Alencar, afirmou no início da noite de ontem no Aeroporto do Galeão, no Rio, que a Força Aérea Brasileira (FAB) procurava detalhes sobre supostos destroços que teriam sido vistos em chamas perto do local do desaparecimento do Airbus 330 da Air France. Alencar disse que as informações seriam de um piloto da TAM, que teria visto focos de luz de manhã.A empresa informou, por intermédio de sua assessoria, que entrou em contato com as autoridades aeronáuticas brasileiras para avisar que a tripulação de um de seus voos no sentido Paris-Rio avistou focos luminosos em alto mar, a aproximadamente 1.300 quilômetros de Fernando de Noronha, ontem de manhã. Já os pilotos dos voos da TAM que partiram do Brasil para a Europa na noite de domingo não reportaram "nada fora da normalidade em termos meteorológicos" na rota.A FAB confirmou que parte da tripulação do voo da TAM para Paris relatou ter avistado "pontos laranja" no Oceano Atlântico. O avião estava a cerca de 10 minutos do espaço aéreo do Brasil e sobrevoava o espaço aéreo do Senegal, quando relatou que avistava possíveis chamas sobre o mar. Mas a Aeronáutica explicou que não encontrou pistas do que foi reportado. Nas tentativas de busca durante o dia, nada foi notado.De acordo com a agência de notícias Reuters, dois aviões da empresa alemã Lufthansa atravessaram turbulências na mesma região sem dificuldades. Um Boeing 747-400 passou pelo local com destino a Frankfurt meia hora antes do desaparecimento do Airbus. Duas horas mais tarde, um avião de carga MD-11 passou um pouco mais ao sul, dirigindo-se ao oeste da África, e também não relatou anormalidades.Mais cedo, o presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, declarou que as buscas serão intensificadas em "uma zona identificada com uma margem de erro de algumas dezenas de milhas náuticas", mais ou menos na metade do caminho entre Natal e Dacar, no Senegal. Até o momento, a Aeronáutica não detectou sinais que possam ter sido emitidos por um aparelho do avião. Entretanto, a possibilidade de o aparelho começar a funcionar, caso não tenha sido destruído, não é descartada. Nem a Air France nem o centro de crise do governo francês confirmam a informação de que destroços do avião teriam sido localizados no espaço marítimo do Senegal.SOLIDARIEDADENo Rio, o governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) disse que o presidente em exercício e o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, garantiram que não há prazo para encerrar as buscas. Os três estiveram no Galeão para prestar solidariedade aos parentes dos desaparecidos."Foi questionado pelas famílias ao brigadeiro Saito se havia limite para as buscas. O vice-presidente José Alencar e o brigadeiro Saito fizeram questão de dizer que não há limite", afirmou Cabral. "Serão semanas de procura enquanto for necessário para que se chegue ao fim conclusivo." Ele acrescentou que o governo americano também já se colocou à disposição para qualquer tipo de apoio ao Brasil.Alencar chegou ao Aeroporto do Galeão no fim da tarde. "Estou aqui a pedido do presidente Lula, que está fora do Brasil, senão ele estaria aqui", contou. "Ele me telefonou e pediu que viesse, para trazer um abraço de solidariedade do governo e dar informações e providências tomadas pela FAB e pela Marinha." Segundo seu relato, o presidente, que estava em El Salvador, lhe disse que, se não pudesse ir ao Rio, por estar saindo de um "tratamento pesado" (Alencar luta contra um câncer), suspenderia a viagem pela América Central e Caribe e voltaria ao Brasil. "Mas é claro que eu poderia vir, como estou aqui."

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