Michel Euler/Reuters
Michel Euler/Reuters

Troca da guarda no tapete vermelho

Após reunião do G-20, Lula é menos assediado pela imprensa, enquanto Dilma ganha holofotes

João Domingos, O Estado de S.Paulo

13 Novembro 2010 | 00h00

Se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tinha dúvidas sobre o fim do ciclo de fama, assédio e gostinho do poder, não deve ter mais depois da reunião do G-20, que terminou ontem, em Seul. Ao seguir pelo tapete vermelho estendido até a saída do hotel onde estava, em companhia da presidente eleita, Dilma Rousseff, Lula não foi importunado uma única vez pelos repórteres de plantão; Dilma sim.

E a primeira pergunta foi exatamente sobre como ela vai se comportar daqui para a frente, sabendo que terá o assédio constante por parte da mídia e do público e falta de privacidade na nova vida que começa.

Enquanto um acanhado Lula esperava pacientemente um pouco recuado, Dilma disse que não terá problemas em se acostumar com o aparato de seguranças e outros funcionários a serviço de quem está à frente do poder.

"Vai ser o inexorável", filosofou ela. Em seguida, lembrou que tinha um tipo de vida e passou a ter outro no momento em que foi convidada para ser ministra de Lula, primeiro de Minas e Energia; depois, da Casa Civil. Nesse momento, Lula deu um leve sorriso. É que não há comparação entre a vida de um presidente da República e a de um ministro.

Embora tenha procurado ter uma atuação discreta no G-20 - o que conseguiu, visto que evitou enquanto pôde fazer sombra a Lula -, a vida de Dilma mudou. Ela ganhou tantos presentes de chefes de Estado e de pessoas anônimas que a Presidência da República teve de providenciar um caminhão para carregar os pacotes.

Entre eles, havia caixas e mais caixas de tipos variados, além de uma imensa, de chocolate suíço. Todas com a inscrição "presidente eleita Dilma Rousseff". Tudo muito bem vigiado por Joelci de Oliveira, que desde o início do ano viaja com o presidente Lula com a única função de recolher as malas dos convidados pelos hotéis onde dormiram e encaminhá-las ao avião presidencial.

Dilma foi indagada sobre o que pensa todo dia depois de acordar.

Sabendo que tinha ao lado o padrinho político que a transformou em presidente, ela respondeu: "Que eu tenho de desempenhar esse papel para o qual fui eleita. É uma missão que eu pretendo levar a bom termo." O tipo de resposta, mais rebuscada, é muito diferente da que era dada por Lula, muito menos contido.

Indagada se mais difícil é montar uma equipe ministerial ou resolver os problemas do País, Dilma respondeu prontamente: "Resolver os problemas da Nação." E, ao se despedir, disse que pretende manter sua prática de leituras, misturando sempre grandes biografias com literatura.

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